Novas tecnologias e saúde do trabalhador: a mecanização do corte da cana-de-açúcar


Fonte do gráfico: Evolução da colheita mecanizada da cana-de-açúcar em http://homologa.ambiente.sp.gov.br/etanolverde/resultado.asp

Resumo de artigo científico:

No contexto da reestruturação produtiva sucroalcooleira, a mecanização do corte da
cana-de-açúcar tem sido justificada como uma medida de proteção ao meio ambiente e aos trabalhadores.
Este artigo analisa as conseqüências da organização do trabalho no corte mecanizado
da cana para a saúde dos operadores de colhedeiras. Com base em dados obtidos em entrevistas e observações diretas no local de trabalho, analisam-se as mudanças introduzidas na base técnica e no modo de divisão e de organização do trabalho, identificando as cargas laborais inerentes ao processo e a sua tradução em desgaste nos trabalhadores. O uso das colhedeiras mecânicas,por um lado, contribui para diminuir as cargas laborais do tipo físico, químico e mecânico; por outro, acentua a presença daquelas do tipo psíquico e fisiológico. Há indícios da ocorrência de mudanças significativas no perfil dos acidentes de trabalho quanto à diminuição da freqüência e aumento da gravidade. O perfil de adoecimento dos operadores de colhedeiras é semelhante àquele do cortador manual de cana-de-açúcar, sobressaindo os quadros de doenças psicossomáticas, relacionadas à organização do trabalho em turnos e à intensificação do seu ritmo através do uso das máquinas.

Extraído de:
http://www.scielo.br/pdf/csp/v15n1/0044.pdf
Rosemeire Aparecida Scopinho, Farid Eid,Carlos Eduardo de Freitas Vian, Paulo Roberto Correia da Silva
Cad. Saúde Pública, Rio de Janeiro, 15(1):147-161, jan-mar, 1999

Crise desacelera mecanização da cana
Ter, 07 de abril de 2009

Metade da safra paulista de cana-de-açúcar do ciclo 2008/ 2009, que oficialmente termina hoje, foi colhida com máquinas, sem uso de queimadas. Essa área cresceu em relação à temporada anterior, mas o ritmo se desacelerou. Segundo o governo de São Paulo, um efeito da crise do setor.

De acordo com a Secretaria Estadual do Meio Ambiente, a colheita mecanizada se estende por 49,1% do território paulista ocupado pela cana. Os dados são do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais). Os restantes dos canaviais (50,9%) foram colhidos com o velho sistema da queimada. O fogo elimina a palha do canavial e facilita o corte manual.

A meta original para este ciclo agrícola era alcançar 50% de áreas mecanizadas, mas o parque sucroalcooleiro paulista deixou para a safra 2009/ 2010 -que começa amanhã- um canavial em pé de 513 mil hectares, área que havia sido incluída no plano de colheita do ano passado. Mesmo assim, a área colhida em São Paulo chegou a 3,910 milhões de hectares. No ciclo 2007/2008 foram 3,790 milhões de hectares.

Pelos dados da secretaria, a área colhida com máquinas cresceu 157 mil hectares na comparação com a safra anterior. Esse número é maior que a expansão da área total colhida (com máquinas e manualmente), o que demonstra que, além da mecanização de novas áreas, canaviais antigos estão mudando do sistema da queima para a mecanização.

A preocupação é que esse saldo, na safra que se encerra agora, foi menor -25 mil hectares (já descontando a área total de expansão). No ciclo anterior havia sido de 140 mil hectares.

‘Essa é uma preocupação, mas avalio que parte dessa redução é explicada pelo volume de cana que ficou em pé. A maior parte dessa cana está em áreas mecanizáveis. Se fosse colhida, a meta de 50% seria atingida e o saldo também seria maior’, diz Ricardo Viegas, diretor do Departamento de Desenvolvimento Sustentável da secretaria e responsável pelo projeto Etanol Verde.

O programa integra o protocolo lançado em junho de 2007 e prevê o cumprimento de metas mais curtas para eliminar a queimada da palha da cana em 2014 (para área mecanizáveis) e 2017 (para áreas não mecanizáveis). O protocolo assinado por 155 usinas instaladas em São Paulo (90% do parque) e pelas 24 cooperativas de fornecedores antecipa os prazos previstos na lei.

A crise financeira que se abateu sobre o setor reduziu as encomendas de colhedoras e há certa dúvida se a meta acordada entre governo, usineiros e fornecedores será cumprida. Em princípio, não há previsão de mudança no prazo final do protocolo, mas metas intermediárias podem estar em risco.

Viegas afirma que, até a safra 2010/2011, a colheita de cana crua (sem queima) deve atingir 70%. ‘Na safra que começa vamos ver se a meta intermediária será cumprida. O que está definido é que a eliminação da queimada em áreas mecanizáveis até 2014 não mudará’, diz.

Outros Estados

Xico Graziano, secretário de Meio Ambiente, considera positivo o avanço da mecanização. Segundo ele, 70% da cana em São Paulo seria queimada. ‘É o que está ocorrendo em Minas Gerais, Goiás e Mato Grosso do Sul, onde apenas agora há um movimento para ter um mecanismo como o de São Paulo. Com mais uma safra teremos uma série com três dados e aí dará para ver a tendência’, diz.

Fonte: Folha de S. Paulo
Extraído de:
http://www.pastoraldomigrante.com.br/index.php?view=article&id=717:crise-desacelera-mecanizacao-da-cana&option=com_content&Itemid=54

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Um pensamento sobre “Novas tecnologias e saúde do trabalhador: a mecanização do corte da cana-de-açúcar

  1. Colando comentario feito por Gabriel em outro lugar, para os interessad@s na temática:e ae galera primerap a entrar no blog, bom to fazendo isso pq to com ideia de trabalhar com o tema da vida social dos cortadores de cana!!! alguem tinha se manifestado sobre o assunto, bom eu tenho bastante material incluindo tres videos com depoimentos de cortadores de cana e contando um pouco da sua historia, se alguem tiver interessado, eu ate ja fiz uma visata na usina!!! bom se alguem se interessar meu email é gabrielfagventura@hotmail.com!!abraços

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