textos básicos para a próxima aula – 03/03/2010

Pessoal:

seguem links para os textos básicos da próxima aula:

Perspectivas teóricas e metodológicas de pesquisa em ciência, tecnologia e humanidades.

. noções de multidisciplinaridade, interdisciplinaridade, transdisciplinaridade;

. construção de linhas e temáticas de pesquisa;

. metodologias de pesquisa.

Cabe a vocês lerem, pensarem e exporem em seus blogs como incorporar esses debates na construção e defesa dos projetos em desenvolvimento sobre estruturas e dinâmicas sociais contemporâneas. Portanto, lembro que esta temática consta da disciplina porque dá os subsídios para o processo de avaliação dos trabalhos individuais e coletivos exigidos aqui em EDS. Bom trabalho!

Teixeira, Olívio Alberto. “Interdisciplinaridade: problemas e desafios”. R B P G . R e v i s t a B r a s i l e i r a d e P ó s – G r a d u a ç ã o. n ú m e r o 1 – j u l h o – 2 0 0 4, pp. 57-69.

http://www2.capes.gov.br/rbpg/images/stories/downloads/RBPG/Vol.1_1_jul2004_/57_69_interdisciplinaridade_problemas_desafios.pdf

Resumo

O objetivo deste trabalho é discutir as relações entre a interdisciplinaridade e a pesquisa, debatendo seus principais problemas e desafios, segundo os termos presentes, em período recente, no debate francês. Para tanto, inicialmente procede-se a uma revisão dos principais fundamentos da interdisciplinaridade, assim como do contexto em que esta questão emerge na discussão da pesquisa internacional.

Em seguida, procura-se demonstrar, por meio da Sociologia das Ciências, a constituição de um campo de pesquisas interdisciplinares. Por fim, intenta-se debater as diferentes classes de problemas e desafios que são enfrentados pela prática interdisciplinar de pesquisa. São assim recorrentes os desafios de organização e coordenação de um coletivo de pesquisa; de comunicação entre pesquisadores; de ordem científica e epistemológica; e, também, de definição dos critérios da certificação científica. Estes problemas e desafios constituem, em última análise, uma grade de leitura que pode colaborar com o marco teórico da interdisciplinaridade na pesquisa e na pós-graduação brasileira.

Palavras-chave: interdisciplinaridade; práticas de pesquisa; Sociologia da Pesquisa

Jupiassu, Hilton. “O espírito interdisciplinar”. Cadernos EBAPE.BR. FGV. Volume IV – Número 3 – Outubro 2006, pp. 1-9.

http://www.ebape.fgv.br/cadernosebape/arq/Jupiassu.pdf

O grande desafio lançado à educação neste início de século é a contradição entre, de um lado, os problemas cada vez mais globais, interdependentes e planetários, e do outro, a persistência de um modo de conhecimento que privilegia os saberes fragmentados, parcelados e compartimentados. Por isso, há urgência de uma reforma da educação, de valorizarmos os conhecimentos interdisciplinares ou, pelo menos, promovermos o desenvolvimento no ensino e na pesquisa de um espírito ou mentalidade propriamente transdisciplinar.

Creio que pode ser aplicado à educação o que dizia Péguy quanto à poesia: “quando a poesia está em crise, a solução não consiste em decapitar os poetas, mas em renovar as fontes de inspiração”.

O que podemos fazer quando tomar consciência de nossos conhecimentos atuais revela uma tremenda incapacidade de pensar o mundo globalmente e em suas partes? O que devemos fazer quando constatamos que nosso pensamento está preso às cegueiras e miopias que caracterizam nossas universidades divididas em departamentos sem comunicação?

(início do artigo. vide a integra no link indicado)

Guattari, Félix. Fundamentos ético-políticos da interdisciplinaridade. F Guattari – Revista Tempo Brasileiro, Rio de Janeiro, 1992 – caosmose.net

vide em word (para download em http://www.caosmose.net/candido/unisinos/textos/textos/guattari.doc.) ou em html:

http://74.125.155.132/scholar?q=cache:9SeyBhkd_ygJ:scholar.google.com/+pesquisa+interdisciplinar&hl=pt-BR&as_sdt=2000



A transdisciplinaridade, como movimento interno de transformação das ciências, aberta para o social, o estético e o ético, não nascerá espontaneamente. A vida científica internacional fica, freqüentemente, presa a rituais formais, numa interdisciplinaridade de fachada. Seu aprofundamento implica numa permanente “pesquisa sobre a pesquisa”, uma experimentação de novas vias de constituição de agrupamentos coletivos de enunciação. Não apenas equipes pluridisciplinares devem funcionar, se necessário por períodos às vezes longos, ou de acordo com ritmos temporais apropriados, como a questão de sua implantação, de seus campos de investigação, da integração de sua atividade com o meio ambiente humano será freqüentemente discutida. Por exemplo, no domínio da cooperação com os países em via de desenvolvimento, os especialistas freqüentemente caíram de pára-quedas em terrenos sociais que não estavam preparados para recebê-los e que eles não estavam preparados para encontrar. Sob este aspecto, a análise dos fracassos seria bastante enriquecedora. O saber agrônomo, médico, ecológico, da arquitetura, deve ser, de alguma forma, reinventado a cada situação concreta. Daí, como corolário, a importância de se prepararem monografias traçando o percurso inicial de uma experiência, suas fases positivas e negativas, as bifurcações que caracterizam a formação do que chamei de agenciamentos coletivos de enunciação.

Não existe uma pedagogia geral com relação à constituição de uma transdisciplinaridade viva. Deve-se levar em conta a iniciativa, o gosto pelo risco, a fuga de esquemas pré-estabelecidos, a maturidade da personalidade (mesmo tratando-se de pessoas muito jovens). Ainda uma vez, teremos mais a ganhar ao nos referirmos neste depoimento ao processo de criação estética do que às visões padronizadas, planificadas, burocratizadas que reinam freqüentemente nos centros de pesquisas científicas, nos laboratórios e nas universidades.


Morin, Edgar. Introdução ao pensamento complexo. Porto Alegre: Sulina, 2006, pp. 1-16.

http://novosolhos.com.br/site/arq_material/6528_7156.pdf

(…) O conhecimento científico também foi durante muito tempo e com freqüência ainda continua sendo concebido como tendo por missão dissipar a aparente complexidade dos fenômenos a fim de revelar a ordem simples a que eles obedecem.

Mas se resulta que os modos simplificadores de conhecimento mutilam mais do que exprimem as realidades ou os fenômenos de que tratam, torna-se evidente que eles produzem mais cegueira do que elucidação, então surge o problema: como considerar a complexidade de modo não simplificador? Este problema, entretanto, não pode se impor de imediato. Ele deve provar sua legitimidade, porque a palavra complexidade não tem por trás de si uma nobre herança filosófica, científica ou epistemológica. (…)

A complexidade é uma palavra-problema e não uma palavra-solução. (…)

Será preciso, enfim, ver se há um modo de pensar, ou um método capaz de responder ao

desafio da complexidade. Não se trata de retomar a ambição do pensamento simples que é a de controlar e dominar o real. Trata-se de exercer um pensamento capaz de lidar com o real, de com ele dialogar e negociar. (…)

O pensamento complexo também é animado por uma tensão permanente entre a aspiração

a um saber não fragmentado, não compartimentado, não redutor, e o reconhecimento do inacabado e da incompletude de qualquer conhecimento.

Esta tensão animou toda a minha vida.

Em toda a minha vida, jamais pude me resignar ao saber fragmentado, pude isolar um objeto de estudo de seu contexto, de seus antecedentes, de seu devenir. Sempre aspirei a um pensamento

multidimensional. Jamais pude eliminar a contradição interna. Sempre senti que verdades profundas, antagônicas umas às outras, eram para mim complementares, sem deixarem de ser antagônicas. Jamais quis reduzir à força a incerteza e a ambigüidade.

(trechos do prefácio do livro de Edgar Morin citado acima. íntegra em pdf no link indicado)

Para os que gostaram, vide livros do mesmo autor: Os sete saberes necessários para a educação do futuro (São Paulo: Cortez, 2000) e A religação dos saberes: o desafio do século XXI (Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2002), entre tantos outros títulos disponíveis.

(resumos e citações exaustivamente disponíveis na internet)

http://www.youtube.com/v/3i9MmdQLqMQ&hl=pt_BR&fs=1&

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4 pensamentos sobre “textos básicos para a próxima aula – 03/03/2010

  1. Olá Professora!Aí está o nosso blog:projetoufabcultura.blogspot.comNosso tema é sobre a cultura dentro da UFABC. Quais são os projetos, saber o porque que na faculdade não há tanto incentivo à cultura…Ok??Abraço!Angélica Mine Tsuchida – Grupo UFABCultural

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