Conteúdo das aulas de 17 de março: sistematizações de noções básicas de cultura, identidade, subjetividade, comunidade…

Evolução das definições básicas da noção de cultura

Início da Antropologia (sec.XIX): cultura como modo de vida, conjunto de crenças, costumes de um grupo (Franz Boas, 1858-1942).

Crítica da visão antropológica clássica (anos 60): cultura como atribuição de significados pelos sujeitos e grupos; relativizar (Clifford Geertz, 1926-2006; Marshall Sahlins, 1930).

Antropologia contemporânea: processos interculturais, hibridismos, mesclas (Nestor Garcia Canclini, 1939)



Evolução das definições básica da noção de identidade

Identidade: sentido de pertencimento a grupos e de continuidade no tempo e no espaço, construído na vivência humana.

Inícios da Sociologia e Psicologia (sécs XIX-XX): identidade como essência dos sujeitos, com estabilidade e fixidez ao longo da vida.

Sociologia, Psicologia, Antropologia contemporâneas: identidades como performances dos sujeitos, plurais e sobrepostas, sem estabilidade existencial.



Evolução das definições básicas da noção de subjetividade

Inícios da Psicologia, Sociologia, Antropologia: subjetividade como dimensão íntima de cada sujeito, variável e instável. Âmbito do julgamento pessoal, por vezes vista como algo pejorativo a ser separada das objetivações que ocorrem nas produções científicas, tecnológicas, da política, do mundo do trabalho.

Subjetividade no contexto contemporâneo:

  • Incorporada como dimensão inseparável da vivência humana, mesmo nos processos de objetivação científicos, tecnológicos, profissionais (Michel Foucault, Félix Guattari, Gilles Deleuze).
  • Concepções de sujeito se transformam ao longo do tempo (iluminista, moderno, pós-moderno – Stuart Hall.) e os agenciamentos das subjetividades são múltiplos e atravessam nossa vivência por meio do próprio ambiente e dos discursos que criamos e que nos rodeiam, isto é, pelos quais nos tornamos sujeitos ao longo da existência (Michel Foucault, 1926-1984; Félix Guattari, 1930-1992; Gilles Deleuze, 1925-1995; Pierre Lévy, 1956)



Evolução das definições básicas da noção de comunidade

Comunidades são significados subjetivos atribuídos pelos sujeitos aos grupos aos quais pertencem, buscando coerência e sentidos de pertencimento e de continuidade no tempo e no espaço para enfrentar as turbulências das dinâmicas de transformações das estruturas sociais. (Zygmunt Bauman, 1925)

Como disse nas aulas, a busca de muitos sujeitos por toda a vida na contemporaneidade será encontrar uma comunidade “segura” para se abrigar e tentar se defender da voracidade das transformações contemporâneas, com um mínimo de estabilidade! Porém, segundo os/as pesquisadores/as e pensadores/as do tempo imediato, poucos serão aqueles que conseguirão tal façanha. E alguns dos que conseguirem, terão que pagar um preço muito alto por sua liberdade ou ainda, sem nem perceber, muitas vezes estarão aderindo a vivências que excluem e/ou discriminam outros sujeitos e grupos… Sem harmonia social sonhada ou pretendida, um mundo de conflitos e intolerâncias poderá ser o horizonte se não projetarmos intervenções e comunidades diferentes, que zelem pela pluralidade, democracia, coexistência entre diferenças e conflitos que não levem à eliminação de opositores! quantos desafios…

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