Fim da leitura e discussão de Culturas e artes do pós-humano: Capítulo 2

Culturas e artes do pós-humano: da cultura das mídias à cibercultura

(Capítulo 2 do livro de Lucia Santaella)

Breve resumo com tópicos para discussão e para conceituação de atividades práticas na Disciplina Identidade e Cultura – 2o. quadrimestre de 2011, exposto no blog e num “Powerpoint Motivacional”)

Profa. Dra. Andrea Paula dos Santos, andrea.santos@ufabc.edu.br

Capítulo 2: Cultura Midiática

  • Formações sociais apresentam três territórios inter-relacionados: o econômico, o político e o cultural.

  • A oposição entre as concepções humanistas e antropológicas de cultura (seletivas e não-seletivas, vistas no capítulo anterior) é um problema superado pelas impressionantes transformações por que a cultura vem passando.

  1. As transformações da cultura no século XX

  • O advento da cultura de massas a partir da explosão dos meios de reprodução técnico- industriais – jornal, foto, cinema – seguida da onipresença dos meios eletrônicos de difusão – rádio e televisão – produziu um impacto até hoje atordoante na tradicional divisão da cultura em erudita, culta, de um lado, e cultura popular, de outro.

  • A cultura de massas absorve, digere e dissolve a polaridade entre ambas, anulando suas fronteiras.

  • Resultam cruzamentos culturais em que o tradicional e o moderno, o artesanal e o industrial mesclam-se em tecidos híbridos e voláteis próprios da cultura urbana.

  • O clímax dessa situação ocorre na década de 80 do século XX, com o surgimento de novas formas de consumo cultural propiciadas pelas tecnologias do disponível e do descartável: fotocopiadoras, videocassetes, videoclipes, videojogos, controle remoto, , seguido pela indústria de Cds e a TV a cabo, ou seja, tecnologias para demandas simbólicas heterogêneas, fugazes e mais personalizadas.

  • Aumenta o trânsito e os hibridismos dos meios de comunicação entre si, que Santaella denominava no inicio dos anos 90 de cultura das mídias que já apontava diferenças da cultura de massas (separação entre produtores e consumidores/receptores).

  • As mídias tendem a se engendrar como redes que se interligam e nas quais cada mídia particular tem uma função específica, colocando a cultura como um todo em movimento, acelerando o tráfego pela informatização entre múltiplas formas, níveis, setores, tempos e espaços.

  1. A dinâmica da cultura midiática

  • A autora cita o filósofo Walter Benjamin para reforçar que o ponto de vista mais fundamental para se compreender a dinâmica cultural é o produtivo, a cultura vista como um tipo muito especial de produção humana.

  • Aspecto que se divide em quatro níveis indissociavelmente conectados:

    a) o nível da produção em si;

    b) o da conservação dos produtos culturais, ligado à memória;

    c) o da circulação e difusão, ligado à distribuição dos produtos culturais;

    d) o da recepção desses produtos, isto é, como são percebidos, absorvidos, consumidos pelo receptor.

  • Indagações sobre a produção cultural:

  • Onde e quando a cultura é produzida? (pontos de vista geográficos, regionais, étnicos, históricos)

  • Por quem ela é produzida? (pontos de vista dos agentes produtores e coadjuvantes, ou seja, as forças econômicas que apoiam os agentes e tornam a produção possível, pressões políticas, ideológicas, poderes impostos ou auto-impostos)

  • Como é produzida? (que meios são empregados para a produção de bens simbólicos: artesanais, industriais, eletrônicos, telemáticos)

  • Para quem se destina? (consumo)

  • Hoje, todas essas referências tendem a se misturar numa trama muito complexa e, à primeira vista, indiscernível.

  • Questão central, difícil de responder: o que é produzido?

  • A referência aqui são às formas, tipos, gêneros de produtos culturais, que podiam, até o final do século XIX, serem determinadas: as belas artes [desenho, pintura, escultura, gravura], as artes do espetáculo [música, dança, teatro] e as belas letras [literatura] podiam, desde o Renascimento, ser distinguidas do folclore, das formas populares de cultura, o que se complicou a partir da Revolução Industrial, com o aparecimento dos meios técnicos de produção cultural [fotografia e cinema] e a crise dos sistemas de codificação artísticos efetuados pela arte moderna, dissolvendo limites entre arte e não arte.

  • A tentativa de responder conduz ao coração da dinâmica cultural.

  • Papel da TV, dos satélites em unir milhões de pessoas em um ponto de olhar, contribui com a dissolução de fronteiras entre recepção de grupos (de elite ou do povo) e na diluição de fronteiras entre formas e percepções simbólicas, fazendo parte e alterando a realidade.

  • Para a autora, as formas de culturas tradicionais (erudita e popular) não desapareceram completamente, mas borraram fronteiras e recompuseram papéis.

  • Isso se explica porque a cultura humana é cumulativa, no sentido de interação incessante de tradição e mudança, persistência e transformação. Os meios de produção culturais se misturam, migram, se transformam, mudam seu suporte, não são substituídos ou desaparecem. Fazem novas alianças, como obervamos no caso da TV com o computador e as redes de telecomunicação.

  • E isso ocorre porque os meios de produção de comunicação também são meios de difusão de várias formas e gêneros culturais.

  • A dinâmica da cultura midiática se revela assim como uma dinâmica de aceleração do trâfego, das trocas e das misturas entre as múltiplas formas, estratos, tempos e espaços da cultura. Por isso mesmo, a cultura midiática é muitas vezes tomada como figura exemplar da cultura pós-moderna.

  1. Pós-modernidade, globalização e revolução digital

  • A dinâmica cultural midiática é:

    – fluida e de articulações complexas de níveis, gêneros e formas culturais, produzindo cruzamento de suas identidades;

    – inseparável do crescimento das tecnologias de comunicação;

    – responsável pela ampliação dos mercados culturais e criação e expansão de novos hábitos no consumo de cultura;

    – inseparável da transnacionalização da cultura aliada à nova ordem econômica e social das sociedades pós-industriais globalizadas;

    – peça-chave para se compreender deslocamentos e contradições, desenhos móveis da heterogeneidade pluritemporal e espacial que caracteriza as culturas pós-modernas.

  • A partir da década de 90 do século XX ocorre a chamada revolução digital, cujo cerne está na possibilidade aberta pelo computador de converter toda informação – texto, som, imagem, vídeo – em uma mesma linguagem universal, através da digitalizaçãoe e da compressão de dados.

  • Todas as mídias podem ser traduzidas, manipuladas, armazenadas, reproduzidas e distribuídas digitalmente, produzindo o fenômeno que vem sendo chamado de converência de mídias (ou de linguagens).

  • Há uma explosão no processo de distribuição e difusão da informação impulsionada pela ligação da informática com as telecomunicações, que redundou nas redes de transmissão, acesso e troca de informações que hoje conectam todo o globo na constituição de novas formas de socialização e de cultura que vem sendo chamada de cultura digital ou cibercultura.

  • Segundo Pierre Lévy uma nova antropologia do ciberespaço surge, levando à fusão das telecomunicações, da informática, da imprensa, da edição, da televisão, do cinema, dos jogos eletrônicos em uma indústria unificada da hipermídia.

  • Questão candente: Será que a cibercultura, com a convergência das mídias que ela promove, irá absorver para dentro de si toda a cultura midiática, ou será que a cultura midiática continuará a existir paralelalmente a ela, ambas convivendo através de novos conflitos e alianças?

Aqui se encerra o capitulo 2, porém todo o livro de Santaella aborda temas que interessam para entender culturas e identidades contemporâneas, pois trata das formas de socialização na cultura digital, das relações/fusões entre arte, ciência e tecnologia, com destaque para as mutações do corpo e da própria noção do que é humano, como o advento do pós-humano.

Para saber mais sobre o que é pós-humano e o que isso tem a ver com cultura e identidade, entre outras coisas, leia também:

PÓS-HUMANO – POR QUE?, Artigo de Lucia Santaella

Pós-humano – por que?

DEMASIADAMENTE PÓSHUMANO. Entrevista com Laymert Garcia dos Santos (UNICAMP):

Demasiadamente Pós-Humano

se (não) estiver com preguiça, veja mais um powerpoint motivacional 🙂

Pós Humano – Lucia Santaella

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