O ódio, no início era um filme… depois a realidade de Paris e agora de Londres e etc.

Lembram do filme, de 1995? Como dissemos, ótima análise de contextos contemporâneos relacionados à identidade e cultura. Senão, vejam como estava Paris, dez anos depois, e está Londres e cercanias agora! No Brasil, faz tempo que há problemas assim, especialmente nas periferias das grandes cidades, que nem se tornam mais notícia.

O ódio nas ruas

Morte de dois adolescentes de origem africana desencadeia onda de violência em Paris

Christophe Ena/AP

Há dez anos um filme chocou a França. O nome era La Haine – o ódio. Literalmente incompreensível, o filme foi exibido com legendas, tanta e tão estranha a gíria que se falava. Era o retrato de um mundo distante: os violentos subúrbios de Paris, habitados em larga medida por imigrantes norte-africanos e seus descendentes, imersos no desemprego, na pobreza e no crime. O ódio, agora, ganhou as ruas. E a França se assustou. Depois da morte de dois adolescentes muçulmanos de origem norte-africana na quinta-feira 27, centenas de jovens saíram às ruas dos subúrbios do nordeste de Paris para atear fogo em carros e lojas e enfrentar a polícia. A onda de violência se alastrou por outros subúrbios e até cidades longe de Paris, rachou o governo e pôs em confronto o primeiro ministro, Dominique de Villepin, e o ministro do Interior, Nicolas Sarkozy, ambos candidatos à Presidência pela direita.

“Isso é só o começo. Vamos continuar até que Sarkozy peça demissão”, gritou um jovem que participava na quinta-feira 3 do quebra-quebra em Aulnay-sous-Bois em direção às câmeras de TV. Pouco depois o próprio carro da TV francesa foi tombado e incendiado pelos manifestantes. Não são protestos. Nem movimentos de massa. Grupos de dezenas ou centenas de jovens aparecem em algum lugar e destroem carros, lojas, delegacias de polícia ou se enfrentam com a polícia. As armas são paus, pedras, coquetéis molotov e armas de fogo.

Foi a morte de Bouna Traore, de 15 anos, e Zyed Benna, de 17, que deu início aos tumultos. Os dois foram eletrocutados numa subestação elétrica em Clichy-sous-Bois na quinta-feira 27. Segundo testemunhas, eles entraram na subestação por estar sendo perseguidos pela polícia. Até a quinta-feira 3, as famílias dos rapazes se recusavam a entrar em contato com Sarkozy. A cada declaração ou ação do governo a tensão cresce.

Na noite seguinte, cerca de 400 jovens enfrentaram os policiais. Dezenas de carros queimados, policiais feridos e 15 adolescentes presos foram o saldo do confronto. Duas noites de calma se seguiram até Sarkozy decidir subir o tom e exigir tolerância zero com a “ralé”.

Thomas Coex/AFP
CONFRONTO Centenas de carros queimados e dezenas de presos marcaram a semana de enfrentamentos na França

Político promissor exatamente por sua linha-dura contra o crime, Sarkozy não conseguiu repetir o efeito de seu protagonismo habitual diante de momentos de crise. As coisas saíram de controle. Os tumultos recomeçaram mais intensos e espalharam-se por toda a região. O caos ganhou definitivamente as cores de um enfrentamento entre a comunidade muçulmana de imigrantes e o governo francês. De seu lado, o gabinete rachou. Azouz Begag, ministro para a Promoção da Igualdade de Oportunidades, ele também de origem imigrante, criticou abertamente Sarkozy. “Não se deve dizer aos jovens que eles são ralé, que eles devem ficar dentro de casa e que se vai enviar a polícia contra eles.” Esses jovens sofrem com as mais altas taxas de desemprego da França. Enquanto a média nacional é de 9%, e a de Paris é de 11%, os subúrbios do nordeste parisiense têm 14% de seus trabalhadores desempregados. O ódio nas ruas quer mais do que vingar os adolescentes. Quer mudar as coisas nos subúrbios de Paris.

Fonte:

http://revistaepoca.globo.com/Epoca/0,6993,EPT1066483-1663,00.html

08/08/2011 – 17h27 / Atualizada 08/08/2011 – 19h29

Incêndio atinge distrito no sul de Londres; distúrbios antecipam retorno de David Cameron

Do UOL Notícias
Em São Paulo

  • Reprodução BBCIncêndio no centro de Croydon, distrito no sul de Londres, no inicio da noite desta segunda-feira (8)

Um incêndio de grande proporção, aparentemente provocado por grupos de jovens que há três dias protagonizam uma série de distúrbios na capital inglesa, assustaram os moradores do distrito de Croydon, no sul de Londres, no inicio da noite desta segunda-feira (horário local).

Imagens exibidas pela rede britânica BBC mostravam um prédio incendiado no centro do distrito, no subúrbio de Londres. Os bombeiros levaram mais de uma hora para conter as chamas. O local também registrou saques, confrontos entre manifestantes e policiais, além de incêndios em carros e ônibus e em outros prédios.

Devido ao agravamento dos distúrbios, que já atingem vários bairros de Londres, o primeiro-ministro David Cameron anunciou que retornará à cidade na noite desta segunda. O premiê estava de férias com a família na Itália. Na terça-feira pela manhã, Cameron participará de uma reunião do Comitê britânico de Contingências de Emergência e conversará sobre a situação na capital britânica com o ministro do Interior e com o chefe da polícia, informou um comunicado emitido por Downing Street..

Distúrbios em Londres

Mais cedo, o prefeito de Londres, Boris Johnson, confirmou que retornará à cidade nesta terça-feira (9) para tentar resolver a crise. Ele também estava em viagem de férias.

Os distúrbios começaram na última sexta-feira (5), após um protesto pela morte de Mark Duggan, 29. Ele foi morto por policiais na quinta-feira (4), em Tottenham, depois de ser abordado em um táxi por uma unidade que investiga crimes com armas de fogo no bairro. Os policiais não divulgaram detalhes do suposto tiroteio, em que um policial também foi ferido à bala, mas prometeram uma investigação.

Hoje, os distúrbios se espalharam por vários bairros de Londres, como Hackney, região que possui uma das taxas de criminalidade mais altas do Reino Unido, e também nos bairros de Lewisham e Peckham.

Segundo a polícia, mais de 200 pessoas envolvidas nas manifestações já foram presas nos últimos dia.

Em Lewisham, grupos de jovens ateou fogo em dois carros e em contêineres, enquanto as ruas adjacentes foram cortadas pela polícia.

No bairro de Peckham, também no sudeste de Londres, um ônibus foi queimado, segundo uma porta-voz do serviço de transportes londrino. Estima-se que o prejuízo causado pelos danos seja superior a 115 milhões de euros.

Segundo informações da polícia, os jovens se organizaram por meio do Twitter e de mensagens no celular, que agora estão sendo monitorados pela polícia na tentativa de prever onde os protestos vão ocorrer.

O vice-prefeito de Londres, Kit Malthouse, disse que a violência era culpa de um pequeno número de criminosos motivados pela ganância, e não pela conduta da polícia ou de problemas sociais mais amplos causados pela lenta recuperação econômica do Reino Unido.

“Isso é um grupo relativamente pequeno de pessoas dentro de nossa comunidade em Londres que… francamente estão procurando coisas para roubar. Eles estão escolhendo tipos de lojas específicas, porque querem um novo par de tênis ou o que for”, disse ele à rede Sky News.

Violência de Londres se espalha para outras cidades britânicas

08 de agosto de 2011 17h40 atualizado às 18h01

Curiosos observam o que sobrou de carro que foi incendiado em Enfield. Foto: APCuriosos observam o que sobrou de carro que foi incendiado em Enfield
Foto: AP

A violência que explodiu nesta segunda-feira pelo terceiro dia em diversos bairros de Londres, com saques e confrontos entre policiais e manifestantes, já tem reflexos em outras cidades da Grã-Bretanha, como Birmingham, a segunda mais populosa do país. Grupos de jovens mascarados se uniram no centro de Birmingham, localizada no centro da Inglaterra, e destruíram vidros e vitrines de algumas lojas, como um restaurante da rede McDonald’s, próximo à catedral da cidade.

Testemunhas também relatam danos na área de Colmore Row, uma das ruas mais movimentadas do centro de Birmingham. À noite, uma forte presença policial já era notada nas ruas da cidade.

Em Londres, os episódios mais violentos foram registrados na tarde desta segunda-feira nos bairros de Hackney, Lewisham e Peckham. Carros foram incendiados em Lewisham (no sudeste da cidade), enquanto manifestantes atearam fogo em um ônibus e em uma loja em Peckham (sul). As chamas se espalharam e atingiram apartamentos vizinhos.

Já em Hackney (norte de Londres), carros de polícia tiveram seus vidros quebrados. Centenas de policiais que foram deslocados para o local encontraram resistência por parte dos moradores, que usaram carros em chamas como barricadas. A região de Hackney abriga várias famílias de baixa renda da capital britânica.

À noite, imagens aéreas também registraram diversos incêndios no bairro de Croydon, no norte de Londres. Ainda não há a confirmação do número de feridos devido aos choques desta terça-feira.

O chefe interino da Scotland Yard, Tim Godwin, afirma que a polícia irá perseguir todos os envolvidos nos episódios de violência e levá-los à Justiça. Segundo ele, serão usadas fotografias e vídeos de sistemas de segurança para verificar a identidade dos suspeitos.

Sobre a violência em Birmingham, a vice-chefe de polícia da região de West Midlands, Sharon Rowe, afirmou que uma operação policial está sendo realizada, com o uso de policiais extras, para restaurar a calma na área central da cidade, assim como para proteger as pessoas e os estabelecimentos comerciais.

“Nós não toleraremos violência desmedida e danos em qualquer lugar de West Midlands, e estamos trabalhando para garantir que os criminosos sejam identificados e pegos o mais rápido possível”, disse Rowe.

O primeiro-ministro britânico, David Cameron, e o prefeito de Londres, Boris Johnson, que estão fora do país, resolveram encurtar as suas férias devido aos confrontos. Ambos devem chegar à capital britânica nesta terça-feira. Cameron anunciou que vai realizar uma reunião de emergência para avaliar os episódios dos últimos dias.

Fim de semana
Os choques ocorrem após vários episódios de violência ocorridos na cidade durante as noites de sábado e domingo, nos quais mais de 200 pessoas foram detidas. As revoltas que explodiram na noite de sábado no bairro de Tottenham se espalharam para outras regiões de Londres na noite de domingo, que foi marcada por saques e violência em vários pontos do norte de Londres, além de Brixton, no sul, e de Oxford Circus, no centro turístico da capital britânica.

A Scotland Yard disse que os incidentes são imitações de atividades criminosas, que começaram após um protesto pela morte de Mark Duggan, de 29 anos. Duggan foi morto por policiais na quinta-feira, em Tottenham, depois de ser abordado em um táxi por uma unidade que investiga crimes com armas de fogo no bairro. Os policiais não divulgaram detalhes do suposto tiroteio, em que um policial também teria sido ferido à bala, mas prometeram uma investigação.

No sábado, manifestantes se reuniram para exigir respostas da polícia a respeito da ação. Por volta das 20h (16h no horário de Brasília), um tumulto começou e a polícia foi acionada.

Alguns manifestantes jogaram bombas caseiras contra a polícia e alguns prédios. Um ônibus de dois andares foi incendiado. Um supermercado, uma loja de carpetes e outros prédios também pegaram fogo.

Tênis novos
Em seguida, a violência começou a se espalhar para bairros vizinhos e depois para outras áreas da cidade. Veículos da polícia foram atacados e grupos de dezenas de jovens saquearam e incendiaram lojas.

“Eles destruíram a (casa de apostas) William Hill, colocaram fogo em latas de lixo (…) Eu vi uma (loja de celulares) Vodafone saqueada, uma (loja de calçados) Footlocker saqueada e incendiada, eu vi um (supermercado) Marks & Spencer atacado”, relatou o jornalista da BBC Paraic O’Brien, que estava em Brixton.

Jornalistas também disseram ter visto jovens lançando pedras e garrafas contra a polícia e até usando extintores de incêndio para impedir a aproximação dos policiais, enquanto eles saqueavam lojas. O repórter Andy Moore, da BBC, testemunhou as duas noites de violência e disse que elas tinham motivações bem diferentes.

“O que pode ter sido iniciado em Tottenham por jovens ressentidos com o que eles viam como perseguição policial se tornou algo de natureza bem diferente. Na noite passada, havia uma impressão de que os saques, a violência e a desordem em Londres estavam sendo coordenados nos sites de mídia social”, disse ele.

“Níveis absurdos de violência”
“Os policiais estão chocados com os absurdos níveis de violência dirigidos a eles. Pelo menos nove policiais foram feridos esta noite, além dos 26 da noite de sábado. Nós não vamos tolerar essa violência deplorável. A investigação continua para levar esses criminosos à Justiça”, disse a comandante da polícia Christine Jones.

Partes de Tottenham, onde os tumultos começaram, ainda estão isoladas para que policiais e especialistas forenses examinem o local dos confrontos. Até o momento, 16 pessoas já foram indiciadas por crimes como roubo, violência e posse de arma.

Fonte:

http://noticias.terra.com.br/mundo/noticias/0,,OI5286508-EI8142,00-Violencia+de+Londres+se+espalha+para+outras+cidades+britanicas.html
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2 pensamentos sobre “O ódio, no início era um filme… depois a realidade de Paris e agora de Londres e etc.

  1. Quem quiser este filme é só pedir pra mim ou pro Gabriel, está em nossos pendrives em formato avi, posteriormente hospedaremos em algum lugar sob demanda. Vivre le flux d’informations! Vivre la piraterie!

    “O Ódio” me lembra bastante outro filme, “Entre os Muros da Escola”, também francês a la cine verité. Támbem um filme que podemos fazer paralelos com a realidade de hoje. Escola, culturas em tensões, diferença, fronteiras, comunidade, poder, resistência e violência. Também posso disponibilizar este filme pra quem quiser.

    Segue link de análise que encontrei sobre o filme:
    http://www.abrapso.org.br/siteprincipal/images/Anais_XVENABRAPSO/232.%20escola,%20cultura%20e%20diferen%C7a.pdf

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