“Problema cultural”

Premiê britânico aponta falhas da polícia e ‘problema cultural’
No Parlamento, Cameron diz que onda de violência ‘não é questão de pobreza’ e promete ‘justiça rápida’ para responsáveis

O primeiro-ministro britânico, David Cameron, afirmou nesta quinta-feira que a reação inicial da polícia aos distúrbios no Reino Unido foi lenta e equivocada. Em discurso o Parlamento, o premiê também disse que a onda de violência em várias cidades da Inglaterra “não é questão de pobreza, é questão de cultura”.

Segundo Cameron, a polícia errou ao tratar os distúrbios como um caso de desordem pública e não de criminalidade. “No início o número de policiais nas ruas foi muito pequeno e suas táticas não funcionaram”, afirmou o premiê. Embora tenha descartado colocar o Exército nas ruas para conter os distúrbios, Cameron disse que irá avaliar se os militares podem assumir alguma função para “liberar mais policiais para a linha de frente”.

Na tentativa de explicar as causas da onda de violência, o premiê afirmou que a sociedade britânica está “partida” e que são necessárias mudanças no sistema de benefícios, mais disciplina nas escolas e um sistema criminal mais claro.

“Há um enorme problema em nossa sociedade com as crianças crescendo sem saber a diferença entre certo e errado. Não é questão de pobreza, é questão de cultura. Uma cultura que glorifica a violência, que mostra desrespeito à autoridade e que diz tudo sobre direitos, mas nada sobre deveres”, afirmou.

 

Polícia prende suspeito de ter participado de distúrbios em Pimlico, Londres (11/08) – Foto: AP
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“Em muitos casos, os pais dessas crianças, se é que ainda estão por perto, não sabem onde seus filhos estão ou com quem eles estão, muito menos o que eles estão fazendo”, completou.

Cameron chamou de “ridícula” a hipótese de que a violência e os saques registrados em várias cidades da Inglaterra estejam relacionados à morte de Mark Duggan, jovem negro morto por policiais no bairro de Tottenham, em Londres, no sábado. Segundo o premiê, a morte de Duggan está sendo investigada e foi “explorada por ladrões oportunistas”.

O premiê disse também que indivíduos e empresas que tiveram propriedades danificadas durante os distúrbios receberão compensações do governo, e afirmou que a polícia, os serviços de inteligência e a indústria estão analisando o papel de mensagens de celular e redes sociais na propagação da violência. “Vamos ver se é correto impedir que as pessoas se comuniquem por estes sites e serviços quando sabemos que estão planejando violência, desordem e criminalidade.”

Cameron também prometeu “justiça rápida” para os responsáveis pelos distúrbios. Até agora, mais de 1,4 mil pessoas foram presas. Só em Londres, 888 suspeitos foram presos e 371 foram indiciados, incluindo dois rapazes de 17 anos e um de 18, acusados de destruir um depósito da Sony, no norte da cidade.

Na noite de quarta-feira, considerada relativamente calma, mais de 16 mil policiais estavam a postos na capital.  Durante a madrugada, a Scotland Yard começou a fazer batidas policiais em várias partes da cidade.

“Temos mais de 100 mandados que serão cumpridos nas próximas horas e dias. Com tantos policiais trabalhando, vamos usar o tempo deles para sair por aí e prender ladrões e assaltantes, pessoas que geram preocupação e crime em nossas comunidades”, disse o vice-comandante da Scotland Yard Steve Kavanah.

 

A polícia de West Midlands, na região central do país, anunciou ter feito 330 prisões, incluindo a de uma menina de 14 anos, levada a uma delegacia por um tio, que suspeitava que ela tivesse levado roupas roubadas para casa.

Na metropolitana de Manchester, 140 pessoas foram presas e 97, indiciadas. Já a polícia do condado de Merseyside, no noroeste do país, prendeu 24 pessoas só nesta madrugada.

Mais prisões devem ser feitas nos próximos dias, já que a polícia está analisando fotos e imagens de circuito fechado de TV.

“O público tem um papel importante em garantir a segurança das ruas e eu peço a todos que olhem as imagens na mídia a partir de hoje e nos digam quem são esses infratores e onde podemos encontrá-los para que eles possam ser levados à Justiça”, disse o vice-comandante da polícia de Merseyside Andy Ward.

Origem dos distúrbios

As revoltas explodiram no sábado no bairro de Tottenham, após um protesto pela morte de Mark Duggan. Ele foi morto por policiais na quinta-feira depois de ser abordado em um táxi por uma unidade que investiga crimes com armas de fogo no bairro. O jovem teria sido morto em um suposto tiroteio que também teria ferido um policial.

A assistente social Michelle Jackson, de 43 anos, disse à BBC que muitos ficaram descontentes em Tottenham, um bairro que abriga muitos imigrantes, depois que a polícia começou a dar declarações sobre Mark Duggan à imprensa, mas sem fornecer qualquer tipo de informações para a família do jovem morto.

“Eu conheço o homem que foi morto, ele era um sujeito muito bacana, e eles estão fazendo parecer como se fosse uma espécie de gangster envolvido em armas e em coisas desse tipo”, afirmou Michelle. Segundo ela, a polícia não sabe lidar com os jovens negros de Tottenham, e muitas pessoas de diversas nacionalidades e etnias se juntaram ao tumulto de sábado.

Com BBC, AP, Reuters e The Guardian

 

Fonte:

http://ultimosegundo.ig.com.br/mundo/premie+britanico+aponta+falhas+da+policia+e+problema+cultural/n1597131086470.html

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3 pensamentos sobre ““Problema cultural”

  1. Professora, eu cursei com a turma B a disciplina de Identidade e cultura, período matutino, e quando fui pegar meu histórico, vi que meu conceito era F. Gostaria mesmo de saber o porquê disso, porque eu fiz tudo o que fui pedido e tenho certeza que meu desempenho nas atividades não foi medíocre o bastante para eu merecer a nota mais baixa.
    Abraços,
    Jennifer

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  2. Jennifer,

    Para fazer a auto-avaliação e pleitear o conceito almejado, houve uma série de critérios a serem considerados, expostos aqui e nas aulas, sendo alguns deles bastante significativos para se dizer que não teve um desenpenho ruim na disciplina.

    Em primeiro lugar, de acordo com o acompanhamento na disciplina quanto ao critério de presença nas aulas, foi constatado nas listas de presença e na observação da frequencia em aulas que o número de faltas foi excedido e houve assinatura feita por terceiros, o que pode ser configurado como fraude;

    Em segundo lugar, o blog proposto pelo grupo acerca das crenças africanas (crencasafricanas.blogspot.com) não expressou praticamente nada do desenvolvimento de pesquisa sobre uma temática tão rica e complexa, contendo até mesmo o nome errado da disciplina (“Conhecimento e ética” ao invés de “Identidade e cultura”).
    Muito menos houve análise e produção na temática em conjunto com os textos e os temas da disciplina debatidos em aulas, conforme pode ser observado. Há apenas quatro postagens, todas feitas por um único integrante do grupo, Marcus Theodoro, que também não atingiu o mínimo da presença na disciplina.

    Nesse sentido, considero que não houve efetivamente condições para se fazer a auto-avaliação e se propor o conceito máximo. Espero que numa próxima oportunidade vocês possam melhorar o nível de honestidade, comprometimento, presença, produtividade e garantir um desempenho satisfatório que, como é possível constatar, não teve condições de ser atingido neste quadrimestre.

    Atenciosamente,

    Andrea

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  3. Aproveito para publicar aqui, o link com as instruções e todos os parâmetros que foram apresentados no blog e em sala de aula por todo o quadrimestre para auto-avaliação, e sistematizados por escrito ao início da reta final, para que houvesse tempo suficiente para fazer seu trabalho e avaliá-lo:

    https://identidadesculturas.wordpress.com/?s=auto+avalia%C3%A7%C3%A3o

    E também, na íntegra, a resposta que enviei ao Marcus Theodoro, do mesmo grupo de trabalho, por e-mail:

    Sinto muito, Marcus, eu também fiquei indignada com o que aconteceu.
    Nunca vi tantos estudantes pleitearem conceitos máximos com um desempenho tão fraco. Acho que faltou honestidade, que é um critério fundamental para se avaliar a própria trajetória e ser reconhecido legalmente por um trabalho institucional. Infelizmente, não tenho como ficar checando a autonomia e a responsabilidade de todos e os que conseguem ficar sem fazer nada e ainda assim serem aprovados merecem, na minha opinião, mais pena pelo grau de falta de ética, do que qualquer reconhecimento de um bom trabalho.
    Deixei bem claro nas aulas e até pelo escrito que está no blog (quem compareceu e participou efetivamente delas pode falar sobre isso) que o critério principal para se fazer a a auto-avaliação era ter uma trajetória de presença e trabalho na disciplina. Mas, além disso, todos sabem e é preciso saber para estudar na Universidade, que o critério de presença mínima e não fraudar a lista é imposto pela UFABC ou qualquer outra instituição. Se o estudante tem problemas, ele precisa mais do que avisar o professor, que foi o que você fez, apresentar um bom trabalho ou outra estratégia para recuperar o tempo perdido.
    Eu não cobro a presença porque o próprio estudante precisa cobrar a sua própria presença, não eu: isso é autonomia e responsabilidade. Para checar a presença, na UFABC existe um monitor que vê quem está e quem não está, quem assina ou quem frauda a lista, anota tudo e passa para o professor. Este é o trabalho dele. Marcus, o meu trabalho é tratar dos conteúdos, orientar e trabalhar com quem me procura e mostra seu trabalho, e não estar vigiando e cobrando o tempo todo cada aluno, dentro e fora do horário de aulas, pois trabalho com dezenas de pessoas ao longo da semana que precisam aprender a ter responsabilidades com o que fazem para serem bons profissionais.
    Outra ponto levantado na disciplina, é que não tenho como avaliar sua trajetória e o seu trabalho de outra forma que não seja vendo o que foi feito. Se você mesmo reconhece que fez muito, mas que não me mostrou quase nada, não tenho como saber e considerar sua auto-avaliação com honestidade. Deixei claro que o canal para fazer isso era o blog ou entrega a mim de algo que representasse o que fez, por onde acompanharia as atividades, como outros estudantes fizeram. Como já disse, os que não fizeram muito e ainda assim tiveram bons conceitos, escaparam de alguma forma de uma avaliação honesta e isso é lamentável. Tenho mais pena da falsa esperteza e honestidade do que qualquer coisa.
    Marcus, um fato triste na busca de autonomia e responsabilidade é não saber reconhecer suas próprias falhas sem recorrer à comparação com os outros. Se os outros falharam o problema é deles, não seu. Eles tem mais desmerecimento do que merecimento, e um conceito não expressa de fato o que penso desse tipo de atitude. E, independente dos outros serem desonestos, o que posso fazer por você é me propor a ver o seu trabalho pessoalmente, ouvir você, fazer um balanço pessoalmente da sua trajetória, que você poderia ter solicitado a qualquer momento, pois sempre estou disponível. Muitas vezes não consigo responder todos os e-mails, pela correria e excesso de trabalho, mas todos sabem que nunca deixei de tratar com ninguém que veio conversar e tentar expor seu trabalho comigo.
    Espero que tenha esclarecido quais foram os parâmetros para a situação triste que foi colocada e que você também possa refletir e encontrar alguma solução a partir da alternativa que coloquei no final, que requer que a gente se encontre pessoalmente para resolver as coisas, dando mais trabalho do que já tivemos ao longo do quadrimestre.

    Abraços

    Andrea

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