2/6 – Aula 3

2/6 – Aula 3

Nesta aula, costumamos fazer uma reflexão importante sobre a necessidade de questionarmos os fundamentos que foram ensinados para muitas pessoas na educação básica, que vão na contramão de todas as transformações da educação contemporânea que ocorreram, pelo menos, desde o início do século vinte.

Tais fundamentos advindos de concepções ultrapassadas de ensino, existentes na educação básica ora como um currículo explícito, ora como um currículo oculto e disfarçado pelos supostos conteúdos das disciplinas especializadas da Ciência Moderna, são:

– aprender a decorar;

– aprender a copiar;

-aprender a obedecer;

– aprender a (in)tolerar e/ou competir.

Tais fundamentos que aprendemos mesmo sem querer, forjaram nossa construção como sujeitos com determinadas identidades, subjetividades, culturas e performances que, atualmente, nos colocam diante do enorme desafio de transformar posturas passivas diante das aulas, encarando com outro olhar, disposição e ânimo as atividades de aprendizagem, pesquisa e criação e de outras formas de pensar e reinventar conhecimentos e saberes.

Expresso, como contraponto, alguns fundamentos básicos da educação contemporânea que, inclusive, são debatidos até mesmo nos Parâmetros Curriculares Nacionais:

– aprender a aprender;

– aprender a fazer;

– aprender a ser;

– aprender a compreender e cooperar.

Desde aulas anteriores, debatemos como é possível hoje que a educação, em todos os níveis, possa ser o espaço dessa transformação de fundamentos básicos, dando outro carater à formação básica e profissional.

Propomos uma abertura para esses fundamentos e convocamos as turmas a relacionar teoria e prática em Identidade e Cultura para modificar a própria percepção de identidades, subjetividades, culturas e performances que temos diante de nós.

Discutimos novamente os conceitos de identidade, como sentido de pertencimento e de localização no tempo e no espaço, e de cultura, como capacidade dos seres humanos e grupos sociais construírem e desconstruírem significados, indicando novamente as leituras atentas de Clifford Geertz e Marshall Sahlins, cujos livros inteiros foram disponibilizados em aula anterior.

E realizamos uma primeira oficina em torno do nosso Clube de Trocas.

Além desse blog no link acima, tem a página no facebook do Clube de Trocas UFABC.

A atividade reflexiva e lúdica sempre foi possível em Identidade e Cultura graças à contribuição dos estudantes que tomaram a atitude fantástica e inusitada para uma aula costumeira de trazer objetos os mais variados e serviços/habilidades para trocar.

A cada objeto ou habilidade que trocamos, aprendemos um pouco sobre como tudo o que colocamos em circulação para trocar potenciamente:

– constrói nossas identidades;

– faz parte dos nossos mundos íntimos, ou seja, das nossas subjetividades;

– comporta a atribuição de inúmeros significados diferentes, ou seja, são pontos de apoio para a transformação permanente das nossas culturas;

– modificam nossos comportamentos expressivos, quer dizer, nossas performances que comunicam aos outros quem somos, o que queremos, o que fazemos em nossos grupos de convívio.

Numa das aulas de Identidade e Cultura em 2014, ofereci um lápis que comprei no Sesc, que adoro porque tem uma borracha na ponta e um desenho maravilhoso de árvores, feito por um artista que gosto muito. Por mais que pareça um simples objeto barato, ele porta inúmeros significados para mim, pois sempre me acompanha nas leituras quando risco meus livros e também me faz lembrar todos os momentos felizes que aprendo e me divirto indo nos Sescs com toda a minha família. Troquei por um creme hidratante tão cheiroso que, se não me engano, foi a Jéssica que trouxe, e que gostei muito pois usá-lo e sentir seu aroma representa um momento de cuidado, de prazer, de bem-estar, coisa que parece ser tão difícil de ser oferecida ao outro no espaço universitário no qual nos encontramos.

Observamos e aprendemos com tantos objetos e habilidades trocados, com tanto entusiasmo, curiosidade, alegria e abertura para tentar entender como é que uma oficina prática pode nos ajudar a aprender novos conceitos tão sofisticados de cultura, performance, subjetividade, performance e identidade, além de outros tão falados e pouco praticados, tais como: cooperação, doação, coragem, iniciativa, criatividade… etc. etc. etc.

O que você trouxe para trocar? O que aquele objeto ou habilidade significou ou significa para você? O que você trocou e por que? O que você mais gostou e não gostou nessa nossa oficina? Como o que fizemos pode se relacionar com as leituras que foram indicadas? E como pode se relacionar com o que você pode expressar no seu blog sobre suas impressões, suas ideias, seus aprendizados e sobre seu tema de pesquisa?

A oficina do Clube de Trocas UFABC é permanente e acontecerá em todas as outras aulas de Identidade e Cultura, constituindo-se num projeto coletivo com o qual você pode colaborar e, inclusive, administrar, como parte das suas atividades do quadrimestre, que poderão ser consideradas em sua auto-avaliação. Participe!

trocastempotodo

Aula 9

Nesta aula distribuímos e continuamos a comentar acerca do livro: A identidade cultural na pós-modernidade, Stuart Hall

A identidade cultural na pós-modernidade, Stuart Hall

Esse texto é importante para o trabalho individual e de todos os grupos, pois trata da transformação das concepções de sujeito e de identidade, relacionando com nosso contexto atual.

Como esses conceitos e as reflexões de Stuart Hall se relacionam com seu blog e as temáticas do seu grupo?

Também demos continuidade aos processos de trabalho no nosso Espaço de Vivência, com nosso tradicional lanche coletivo e Clube de Trocas UFABC: participe!

Nas próximas aulas, tod@s estão convidados a apresentar seus trabalhos em blog, painéis, varais, cartazes e também a convidar @s colegas para interagir, dar sugestões e ajudar a fazer o desenvolvimento dos processos de trabalho, conforme combinamos…

Até sexta :)))

 

 

 

 

Aula 3 de CTS que dialoga com Aula 4 de Identidade e Cultura

Esse memorial de uma aula de CTS dialoga com a de Identidade e Cultura e pode interessar a alguns estudantes mais curiosos:

Nesta aula do dia primeiro de julho, fizemos uma reflexão importante sobre a necessidade de questionarmos os fundamentos que foram ensinados para muitas pessoas na educação básica, que vão na contramão de todas as transformações da educação contemporânea que ocorreram, pelo menos, desde o início do século vinte.

Tais fundamentos advindos de concepções ultrapassadas de ensino, existentes na educação básica ora como um currículo explícito, ora como um currículo oculto e disfarçado pelos supostos conteúdos das disciplinas especializadas da Ciência Moderna, são:

– aprender a decorar;

– aprender a copiar;

-aprender a obedecer;

– aprender a (in)tolerar e/ou competir.

Tais fundamentos que aprendemos mesmo sem querer, forjaram nossa construção como sujeitos com determinadas identidades, subjetividades, culturas e performances que, atualmente, nos colocam diante do enorme desafio de transformar posturas passivas diante das aulas, encarando com outro olhar, disposição e ânimo as atividades de aprendizagem, pesquisa e criação e de outras formas de pensar e reinventar conhecimentos e saberes.

Expressei, como contraponto, alguns fundamentos básicos da educação contemporânea que, inclusive, são debatidos até mesmo nos Parâmetros Curriculares Nacionais:

– aprender a aprender;

– aprender a fazer;

– aprender a ser;

– aprender a compreender e cooperar.

Desde aulas anteriores, temos debatido como é possível hoje que a educação, em todos os níveis, possa ser o espaço dessa transformação de fundamentos básicos, dando outro carater à formação básica e profissional.

Propomos uma abertura para esses fundamentos e convocamos todos a pensar criticamente o papel das ciências e das tecnologias em nossa sociedade. Pois, como explicamos na aula, vivemos um tempo de profundas transformações sociais e culturais, que são traduzidas em críticas feitas por cientistas e estudiosos de várias áreas de conhecimento que, com olhares inter ou transdisciplinares, tentam compreender a situação atual.

Apresentamos, nesta aula, para reflexão e ligação com as temáticas de pesquisas dos blogs, o conceito de cultura, do antropólogo estadunidente, professor do MIT, Michael Fischer, cujos capítulos 1 e 2 de seu livro estão disponíveis em nossa Biblioteca, para leitura:

“Cultura é aquele todo relacional, complexo, cujas partes não podem ser modificadas sem afetar as outras partes, mediado por formas simbólicas potentes e poderosas, cujas multiplicidades e cujo caráter performativamente negociado, são transformados por posições alternativas, formas organizacionais e o alavancamento de sistemas simbólicos , assim como pelas novas e emergentes tecnociências, meios de comunicação e relações biotécnicas.

Futuros Antropológicos: Redefinindo a cultura na era tecnológica. RJ: Zahar Ed., 2011, p. 19.

Essa definição de cultura, que é também repleta de hibridismos e interculturalidades, ressalta o impacto das tecnociências em nossa cultura, modificando não apenas nossas formas organizacionais, simbólicas e de comunicação, mas a própria configuração do que entendemos por formas de vida, sem que consigamos mensurar boa parte das consequências das tecnociências em franca aplicação sem reflexão crítica nas nossas sociedades disciplinares/sociedades de controle, conforme tratamos em aulas anteriores, ao falarmos do diálogo entre Gilles Deleuze com as ideias de Michel Foucault. Daí a necessidade da mudança da nossa postura frente aos fundamentos que apontamos no início para que, como estudantes, educadores, cientistas, futuros profissionais de todas as áreas de conhecimento, possamos sempre pensar, criticar e transformar os próprios conhecimentos científicos e tecnologias com os quais temos que trabalhar, com vistas a aprender a reconhecer nossas responsabilidades frente aos impactos das tecnociências.

Também problematizamos o senso comum, já criticado há muito tempo de que as ciências e as tecnologias são neutras. Demos exemplos de como a partir do pós-guerra, na segunda metade do século vinte, houve uma crítica radical quanto aos limites da ciência e da tecnologia por conta da enorme destruição e morte que só foi possível graças aos conhecimentos e práticas científicas e tecnológicas produzidos pelas Ciências Modernas que, infelizmente, serviram de justificativa para um determinado tipo de racionalidade e de usos mortíferos e letais das tecnologias contra seres humanos. Um autor que citamos foi o famoso historiador Eric Hobsbawn e, especificamente, seu livro que é um clássico, uma leitura obrigatória para aqueles que querem entender um pouco da realidade contemporânea, A era dos Extremos: o breve século XX (1914-1991):

“(…) a estranha democratização da guerra. Os conflitos totais viraram ‘guerras populares’, tanto porque os civis e a vida civil se tornaram os alvos estratégicos certos, e às vezes principais, quanto porque em guerras democráticas, como na política democrática, os adversários são naturalmente demonizados para fazê-los devidamente odiosos ou pelo menos desprezíveis. As guerras, [são] conduzidas de ambos os lados por profissionais, e especialistas… (…) …a nova impessoalidade da guerra, que tornava o matar e estropiar uma consequência remota de apertar um botão ou virar uma alavanca. A tecnologia tornava suas vítimas invisíveis…” (pp. 56-57)

Falamos de como a racionalidade científica foi utilizada para criar os campos de concentração, um dos símbolos máximos da barbárie no século vinte, e que teve sua idealização no coração da Europa, onde a Ciência Moderna surgiu e foi glorificada como a rainha que levaria sempre ao progresso da humanidade. Essa mesma racionalidade Ciência Moderna serviu de base aos médicos alemães que torturaram e mataram pessoas presas nos campos de concentração, justificando suas atitudes como “experimento científico”.

Foi assim que expliquei que meu legado, como historiadora, talvez uma “cientista” das humanidades, é fazer a crítica da suposta democratização e neutralidade de certos conhecimentos e práticas ditas científicas e tecnológicas. Nós, mulheres cientistas como eu, a brasileira Lúcia Santaella, e as estadunidenses Sandra Harding e Donna Haraway, sabemos que certos padrões de conhecimento e de ignorância criados pelas Ciências Modernas atingem e conformam objetiva e subjetivamente, e de forma desigual, a vida de homens e mulheres de diferentes regiões e culturas de todo o planeta, beneficiando determinados grupos e excluindo ou eliminando outros, e pondo em questão a própria ideia que temos do que é o humano, a natureza e a ciência como um discurso sobre ambos. De acordo com o sociólogo brasileiro Laymert Garcia dos Santos, vivemos já num contexto demasiadamente pós-humano, sem ao menos nos darmos conta de como as tecnologias são altamente politizadas, com sérios impactos sócio-técnicos da informação digital e genética em nossa vida cotidiana.

Contudo, quero pensar também – de forma quase otimista-pessimista – que a partir do momento no qual vocês, estudantes e futuros profissionais. entram em contato com esses conhecimentos críticos, esse legado crítico também é de vocês e poderá ter grande impacto se souberem relacioná-lo às suas vidas cotidiana e profissional, problematizando suas próprias identidades e subjetividades

Falei da necessidade desse otimismo-pessimista que nos move na sociedade em rede, de Manuel Castells:

“A sociedade em rede, em termos simples, é uma estrutura social baseada em redes
operadas por tecnologias de comunicação e informação fundamentadas na microelec-
trónica e em redes digitais de computadores que geram, processam e distribuem infor-
mação a partir de conhecimento acumulado nos nós dessas redes. A rede é a estrutura
formal (vide Monge e Contractor, 2004). É um sistema de nós interligados. E os nós
são, em linguagem formal, os pontos onde a curva se intersecta a si própria. As redes
são estruturas abertas que evoluem acrescentando ou removendo nós de acordo com
as mudanças necessárias dos programas que conseguem atingir os objectivos de
performance para a rede. Estes programas são decididos socialmente fora da rede mas a
partir do momento em que são inscritos na lógica da rede, a rede vai seguir eficien-
temente essas instruções, acrescentando, apagando e reconfigurando, até que um novo
programa substitua ou modifique os códigos que comandam esse sistema operativo.
O que a sociedade em rede é actualmente não pode ser decidido fora da observação
empírica da organização social e das práticas que dão corpo à lógica da rede. Assim,
irei resumir a essência daquilo que a investigação académica (isto é, a produção de
conhecimento reconhecida como tal pela comunidade científica) já descobriu em vários
contextos sociais.”
Castells, Manuel. A sociedade em rede: do conhecimento à ação política., p. 20.

Todos vivemos na sociedade em rede, queiramos ou não, conectados ou não, pois a lógica da vida contemporânea é definida por ela e pelos que têm poder para organizá-la, queiramos ou não. Tratamos das ideias de Castells sobre a necessidade de reformar o Estado e refundar a educação, para que a organização da sociedade em rede seja democrática. E nos perguntamos? Isso é possível? Como os conhecimentos científicos e as tecnologias que criamos e usamos no contexto de uma cultura visual e de uma cultura digital podem ter relação com isso?

E falamos também do capitalismo-esquizofrenia, que aprendi com o psicanalista Félix Guattari ( As três ecologias e Da produção de subjetividade In: Caosmose ), de emergência crítica de visões de ciência que alguns denominam, ora de forma elogiosa ora de forma pejorativa como, de Ciências Pós-Modernas, num panorama em torno da complexidade do pensar o que possa vir a ser o fazer de uma Ciência com Consciência, como diria o filósofo e sociólogo Edgar Morin ou de crítica do paradigma dominante  de um certo discurso sobre as ciências como, à sua maneira, fez o sociólogo Boaventura de Souza Santos, preocupado com a ciência que põe a sociedade em risco. Atualmente, podemos escolher entre tantas visões críticas e, se quisermos, conhecer a existência de outras noções sobre o que é a ciência se a entendermos como um dos discursos possíveis sobre o mundo em que vivemos. E também ficarmos atentos às várias definições do termo “tecnologias”, que está em disputa e em processo de pluralização: tecnologias científicas, tecnologias culturais, tecnologias sociais, tecnologias de comunicação e informação.

Diante de tantas plurais e híbridas referências que elenquei nesta aula, como bem criticou o famoso antropólogo Bruno Latour, posso até considerar que, ao invés disso parecer uma crítica eficaz às mazelas da nossa sociedade tecnocientífica, essa reflexão reforce mais ainda um certo discurso cético de que nossa vida intelectual é decididamente mal construída. Ainda mais se for na base da interdisciplinaridade do fast-food-talk-show que nós dá a possibilidade de tratar das vastas temáticas dessas aulas, em poucas horas de um mísero quadrimestre. No entanto, como hoje estou tentando tratar de tudo e mais um pouco que me interessa como pesquisadora num tom de ambiguidade crítica relativamente otimista-pessimista (e não pessimista-otimista!) – para alguns muito pós-estruturalista, para outros de desconstrução (quem me dera!)- torço, ingenuamente e bem iluminista, para que vocês leiam essas ideias e referências linkadas como fonte de questões a serem relacionadas com suas experiências, observações e temas de pesquisa em seus blogs, fazendo novas (des)construções sobre as temáticas que abordamos. Pois, afinal, como educadora no século vinte e um (ou como uma Pandora que apresenta seu post-caixa com novos mitos no seu discurso que não se conforma com os velhos discursos e os usos sociais das ciências, ainda tão em voga nas universidades) tenho o privilégio de poder decidir que a responsabilidade por organizar sua autonomia e seu ritmo para essas leituras em diálogos comigo e com o que você pode pensar, criticar, criar e fazer é totalmente sua.

Tento aprender e fazer aqui a minha parte de criar uma pequena sistematização, como um memorial que pedi a vocês e, quem sabe, consigamos assim ter uma medida do que podem ser as dificuldades e as vantagens incomensuráveis de um “aprender a aprender” e  “aprender a fazer”, mencionados como fundamentos básicos da educação contemporânea no início desse texto… Já o “aprender a ser” e o “aprender a compreender e cooperar” dependerá do que cada um que está envolvido nesse processo vai pensar e criar a partir dessas camadas de palavras apresentadas a vocês: mais uma vez, bom trabalho!

caixa de pandora

http://cienciastecnologiassociedades.wordpress.com/

Aula 3

Nesta aula do dia primeiro de julho, fizemos uma reflexão importante sobre a necessidade de questionarmos os fundamentos que foram ensinados para muitas pessoas na educação básica, que vão na contramão de todas as transformações da educação contemporânea que ocorreram, pelo menos, desde o início do século vinte.

Tais fundamentos advindos de concepções ultrapassadas de ensino, existentes na educação básica ora como um currículo explícito, ora como um currículo oculto e disfarçado pelos supostos conteúdos das disciplinas especializadas da Ciência Moderna, são:

– aprender a decorar;

– aprender a copiar;

-aprender a obedecer;

– aprender a (in)tolerar e/ou competir.

Tais fundamentos que aprendemos mesmo sem querer, forjaram nossa construção como sujeitos com determinadas identidades, subjetividades, culturas e performances que, atualmente, nos colocam diante do enorme desafio de transformar posturas passivas diante das aulas, encarando com outro olhar, disposição e ânimo as atividades de aprendizagem, pesquisa e criação e de outras formas de pensar e reinventar conhecimentos e saberes.

Expressei, como contraponto, alguns fundamentos básicos da educação contemporânea que, inclusive, são debatidos até mesmo nos Parâmetros Curriculares Nacionais:

– aprender a aprender;

– aprender a fazer;

– aprender a ser;

– aprender a compreender e cooperar.

Desde aulas anteriores, temos debatido como é possível hoje que a educação, em todos os níveis, possa ser o espaço dessa transformação de fundamentos básicos, dando outro carater à formação básica e profissional.

Propomos uma abertura para esses fundamentos e convocamos as turmas a relacionar teoria e prática em Identidade e Cultura para modificar a própria percepção de identidades, subjetividades, culturas e performances que temos diante de nós.

Discutimos novamente os conceitos de identidade, como sentido de pertencimento e de localização no tempo e no espaço, e de cultura, como capacidade dos seres humanos e grupos sociais construírem e desconstruírem significados, indicando novamente as leituras atentas de Clifford Geertz e Marshall Sahlins, cujos livros inteiros foram disponibilizados em aula anterior.

E realizamos uma primeira oficina, neste quadrimestre, em torno do nosso Clube de Trocas.

A atividade reflexiva e lúdica foi possível graças à contribuição dos estudantes que tomaram a atitude fantástica e inusitada para uma aula costumeira de trazer objetos os mais variados e serviços/habilidades para trocar.

A cada objeto ou habilidade que trocamos, aprendemos um pouco sobre como tudo o que colocamos em circulação para trocar potenciamente:

– constrói nossas identidades;

– faz parte dos nossos mundos íntimos, ou seja, das nossas subjetividades,

– comporta a atribuição de inúmeros significados diferentes, ou seja, são pontos de apoio para a transformação permanente das nossas culturas;

– modificam nossos comportamentos expressivos, quer dizer, nossas performances que comunicam aos outros quem somos, o que queremos, o que fazemos em nossos grupos de convívio.

Eu ofereci um lápis que comprei no Sesc, que adoro porque tem uma borracha na ponta e um desenho maravilhoso de árvores, feito por um artista que gosto muito. Por mais que pareça um simples objeto barato, ele porta inúmeros significados para mim, pois sempre me acompanha nas leituras quando risco meus livros e também me faz lembrar todos os momentos felizes que aprendo e me divirto indo nos Sescs com toda a minha família. Troquei por um creme hidratante tão cheiroso que, se não me engano, foi a Jéssica que trouxe, e que gostei muito pois usá-lo e sentir seu aroma representa um momento de cuidado, de prazer, de bem-estar, coisa que parece ser tão difícil de ser oferecida ao outro no espaço universitário no qual nos encontramos.

Observamos e aprendemos com tantos objetos e habilidades trocados, com tanto entusiasmo, curiosidade, alegria e abertura para tentar entender como é que uma oficina prática pode nos ajudar a aprender novos conceitos tão sofisticados de cultura, performance, subjetividade, performance e identidade, além de outros tão falados e pouco praticados, tais como: cooperação, doação, coragem, iniciativa, criatividade… etc. etc. etc.

O que você trouxe para trocar? O que aquele objeto ou habilidade significou ou significa para você? O que você trocou e por que? O que você mais gostou e não gostou nessa nossa oficina? Como o que fizemos pode se relacionar com as leituras que foram indicadas? E como pode se relacionar com o que você pode expressar no seu blog sobre suas impressões, suas ideias, seus aprendizados e sobre seu tema de pesquisa?

A oficina do Clube de Trocas UFABC é permanente e acontecerá em todas as outras aulas de Identidade e Cultura, constituindo-se num projeto coletivo com o qual você pode colaborar e, inclusive, administrar, como parte das suas atividades do quadrimestre, que poderão ser consideradas em sua auto-avaliação. Participe!

trocastempotodo

Portfolios Identidade e Cultura & Cavalete Parade na UFABC (124 fotos)

Veja álbum no facebook:

http://www.facebook.com/media/set/?set=a.363084923766579.85989.100001952239217&type=1

Artes de fazer e a produção dos consumidores inventando o cotidiano: desviando de normas e melhorando a vida ou adequando às normas e piorando a vida…

Viva Michels Foucault e De Certeau!

04/08/2011 – 12h41

Internautas usam poesia para apoiar delegado que escreveu relatório em versos

Internautas recorreram às rimas para comentar o caso do delegado que registrou um crime em forma de poesia em Brasília. Em comentários feitos pelo público na página do UOL Notícias na rede social Facebook, vários leitores defenderam a atitude do delegado Reinaldo Lobo e também utilizaram textos poéticos para expressar a opinião.

“Não vejo nada demais. Com certeza ele é um poeta frustrado que resolveu ser delegado porque paga mais”, escreveu o internauta Elivan Souza (veja reprodução abaixo).

“Admiro o delegado/que com tanta precisão/e sem deixar desagrado/realizou a prisão/do meliante folgado”, escreveu Larissa Almeida.

Veja abaixo mais comentários “poéticos” dos internautas:

A “ousadia” do delegado incomodou a Corregedoria da Polícia, que devolveu o texto ao autor, pedindo termos mais tradicionais. “A ideia era mostrar que o delegado trabalha próximo das pessoas e carrega sentimentos”, disse Lobo ao UOL Notícias. “Achei que era um texto adequado até porque não existe nenhuma norma que me impeça de escrever como escrevi.” O delegado usou versos para informar que o detido na região de Riacho Fundo, a cerca de 20 km de Brasília, tinha ficha corrida e estava em uma moto roubada. “Todas as informações que eram necessárias estavam lá. A contestação é só sobre o formato”, afirmou.

No pequeno poema, pode-se ler: “O preso pediu desculpa/disse que não tinha culpa/pois estava só na garupa/foi checada a situação/ele é mesmo sem noção/estava preso na domiciliar/não conseguiu mais se explicar”.

“Queria chamar a atenção para a violência na nossa região. As pessoas estão acostumadas com um formato de texto para relatar crimes e isso é só uma questão de hábito. Não discutiram o mérito e o mérito é que não fiz nada de errado no texto”, alegou Lobo.

Foi a primeira vez que o delegado escreveu um relatório em forma de poesia. “Se me impedirem de fazer outro, o que posso fazer?”, lamentou.

Confira a íntegra do relatório-poético:

Já era quase madrugada
Neste querido Riacho Fundo
Cidade muito amada
Que arranca elogios de todo mundo

O plantão estava tranqüilo
Até que de longe se escuta um zunido
E todos passam a esperar
A chegada da Polícia Militar

Logo surge a viatura
Desce um policial fardado
Que sem nenhuma frescura
Traz preso um sujeito folgado

Procura pela Autoridade
Narra a ele a sua verdade
Que o prendeu sem piedade
Pois sem nenhuma autorização
Pelas ruas ermas todo tranquilão
Estava em uma motocicleta com restrição

A Autoridade desconfiada
Já iniciou o seu sermão
Mostrou ao preso a papelada
Que a sua ficha era do cão
Ia checar sua situação

O preso pediu desculpa
Disse que não tinha culpa
Pois só estava na garupa

Foi checada a situação
Ele é mesmo sem noção
Estava preso na domiciliar
Não conseguiu mais se explicar
A motocicleta era roubada
A sua boa fé era furada

Se na garupa ou no volante
Sei que fiz esse flagrante
Desse cara petulante
Que no crime não é estreante

Foi lavrado o flagrante
Pelo crime de receptação
Pois só com a polícia atuante
Protegeremos a população

A fiança foi fixada
E claro não foi paga
E enquanto não vier a cutucada
Manteremos assim preso qualquer pessoa má afamada

Já hoje aqui esteve pra testemunhá
A vítima, meu quase chará
Cuja felicidade do seu gargalho
Nos fez compensar todo o trabalho

As diligências foram concluídas
O inquérito me vem pra relatar
Mas como nesta satélite acabamos de chegar
E não trouxemos os modelos pra usar
Resta-nos apenas inovar

Resolvi fazê-lo em poesia
Pois carrego no peito a magia
De quem ama a fantasia
De lutar pela Paz ou contra qualquer covardia

Assim seguimos em mais um plantão
Esperando a próxima situação
De terno, distintivo, pistola e caneta na mão
No cumprimento da fé de nossa missão

Comentários [3]

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  • Imagem de Nivaldo JG

    Nivaldo JG

    publicado há 13 horas

    Não vejo nada demais nos termos que foram usados Pois tivemos o crime ali bem relatado As palavras com sentido bem empregado Manifesto aqui o meu apoio ao Delegado Alem do mais o crime foi elucidado A policial fez o trabalho e não foi ludibriado Pior seria se com comportamento inadequado O sacana do ladrão fosse libertado Em um Pais onde o português é massacrado Dizem que agora pode até falar errado O Delegado inovou foi ate inusitado Parabéns ao delegado pelo português bem empregado Nivaldo – Matáo SP

  • Imagem de Amigo da Poesia

    Amigo da Poesia

    publicado há 16 horas

    Aqui no escritório foi só gargalhada, Com o poeta delegado, Que de maneira fiel e engraçada, por sua arte foi enquadrado Que anotem nosso protesto, Ó galera da corregedoria, Que de um flagrante modesto, Transformou-se em poesia A rima superou o crime, Nesta tarde publicado no UOL, Deixei de ver as noticias no meu time, Até me cadastrei com muito suor Vou me depedindo, pois não vivo de poesia, Ao Delegado meus comprimentos, Ao meliante, os sentimentos E à corregedoria, convenhamos… isso é só alegria!!!!!

  • Imagem de FLT

    FLT

    publicado há 16 horas

    Não vou nem tentar fazer rimas ou poesias, não tenho cacife pra isso, agora se o delegado tem, deixa o cara em paz!! Fez o trabalho dele e prendeu o marginal, tem um monte de delegado por aí que escreve como deve ser o padrão mas fica escondido atras da mesa com medo do ladrão ( essa foi sem querer…). Parabéns ao delegado, quando se aposentar pode escrever um livro. E tem mais, já cansamos de ver magistrados dando suas sentenças em forma de poesia e ninguém pensou em puni-lo, por que o delegado deve ser punido? Ah tá, o magistrado tem poder o delegado está lá para levar tiro do bandido que a justiça soltou… Eta Brasil….

Fonte:

http://noticias.uol.com.br/cotidiano/2011/08/04/internautas-usam-poesia-para-apoiar-delegado-poeta.jhtm

03/08/2011 – 18h07

Menino abandona escola do interior de SP após ser repreendido por gostar de rock pesado

Ellen de Lima
Especial para o UOL Notícias
Em São José do Rio Preto (SP)

O primeiro dia de aula do garoto Marcelo Corrêa Carvalho, 8, no colégio Ponto Alfa, em São José do Rio Preto (438 km de São Paulo) foi também o último. Seus pais decidiram mudar o menino de escola depois de ele ser repreendido pela diretora por gostar de rock. Marcelo é fã das bandas como Iron Maiden e roqueiros como Ozzy Osbourne.

Tudo começou porque Marcelo começou a batucar na carteira como se estivesse tocando bateria. A professora não gostou e o mandou para a diretoria. Lá, a diretora Ana Maria Fernandes questionou seu comportamento e suas escolhas.

O menino teria dito a ela que quer ser guitarrista e que sonha em tocar com o Iron Maiden. A diretora mostrou imagens de capas de CDs das bandas, na tela do computador, e o alertou que “todas fazem referência ao demônio, com imagens satânicas e que lembram a morte”.

“Eu quis despertar nele uma reflexão para a realidade. Esse é meu trabalho, e as letras que ele ouve fazem alusão à besta, ao demônio. Não têm mensagem positiva”, disse a diretora Ana Maria ao UOL Notícias.

Nara Corrêa Carvalho, 26, mãe do garoto, diz que ele voltou para casa apavorado com o que viu na sala da diretora. Segundo Nara, Marcelo contou que a diretora lhe mostrou imagens de demônios e disse que os roqueiros fazem rituais satânicos. “Ela disse que eles sacrificam animais, cortam as cabeças e que têm pacto com o demônio. Ele ficou apavorado.”

Ana relatou que queria ajudar o garoto e a família, que, de acordo com ela, não tem consciência do que dizem as letras das músicas que o menino ouve. “Eu conversei três horas e meia com Marcelo. Ele é agressivo, e isso se deve a esse hábito de ouvir essas músicas que estimulam a violência.”

O colégio Ponto Alfa é uma escola particular de ensino fundamental com apenas 15 alunos por sala de aula e atende a várias crianças consideradas “difíceis”. Todas as salas são monitoradas por câmeras. A diretora informou que vai colocar no Facebook as imagens do menino em sala de aula para provar o que se passou na escola e de que forma ele foi tratado.

A família de Marcelo mudou-se para São José do Rio Preto há 15 dias. A mãe, Nara Corrêa Carvalho, 26, é comissária de bordo e tem dois filhos: Marcelo e uma menina de cinco anos. Ela decidiu voltar para Rio Preto, onde moram seus pais. “Meu filho ficou traumatizado, mas não vai deixar de seguir sua vocação, que é a música”, disse ela.

Marcelo é fã dos Beatles e do The Who desde os dois anos, mas hoje prefere Iron Maiden e Ozzy Osbourne. É um garoto considerado superdotado, segundo ela. “Ele tem grandes habilidades, pertence ao grupo dos supertalentosos para a música, matemática e derivados”, afirmou Nara. A diretora confirmou ser perceptível que o menino tem grau de inteligência acima da média.

Depois do episódio, Marcelo fica em casa, enquanto a mãe procura uma nova escola. A família vai processar a escola. O caso está protocolado no Conselho Tutelar Sul de São José do Rio Preto, que deve apresentar a denúncia ao Ministério Público da Educação.

“Essa pessoa tem que entender que as crenças dela não podem interferir na educação das crianças”, disse Nara, mãe de Marcelo. A diretora Ana Fernandes informou ao UOL Notícias que não tem religião, é uma pessoa cristã e lê apenas a Bíblia.

  • Marcelo, 8, fã de Iron Maiden e Ozzy Osbourne, foi advertido por diretora de escola de São José do Rio Preto (SP) por gostar de rock pesado Marcelo, 8, fã de Iron Maiden e Ozzy Osbourne, foi advertido por diretora de escola de São José do Rio Preto (SP) por gostar de rock pesado

Comentários [109]

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  • Imagem de Eduardo Amaro

    Eduardo Amaro

    publicado há 10 horas

    Gostaria de enviar uma mensagem para esse garoto: rapaz, esqueça o que essa diretora disse. Ela não conhece essa banda e, sobretudo, ela não tem o direito de lhe dizer O QUE VOCÊ DEVE GOSTAR OU NÃO. Goste do que o teu coração diz para você gostar e ponto final. E, quanto a música, siga em frente. Apenas não batuque em sala de aula, porque ali não é o lugar para isso. Fora de lá, batuque, cante, aprenda música o quanto quiser e seja feliz!

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    Eduardo Amaro

    publicado há 10 horas

    Que absurdo para uma educadora. O Iron Maiden incentiva a crítica e o pensamento, ele deixa o garoto mais inteligente e, de quebra, cria nele o desejo pela música. Boa música. Então entenda. Não perca seu tempo sempre procurando aqueles anos perdidos. Encare… tome posição! E perceba que você vive nos anos dourados”. (Wasted Years, Iron Maiden) “Mesmo tendo atingindo novas intensidades, eu prefiro as noites sem descanso, elas me fazem indagar, me fazem pensar! Existe mais que isso ou eu estou no extremo? Não é o medo do que está além, é só que eu não devo responder. Eu tenho uma curiosidade, um desejo ardente!” (Infinity Dreams, Iron Maiden) “Voe, pelo seu caminho, como uma águia, voe tão alto como o sol! No seu caminho, como uma águia, voe, e toque o sol! Agora a multidão se abre e um jovem garoto aparece, olha o velho nos olhos, enquanto ele abre suas asas e grita para a multidão: _ Em nome de Deus, meu pai, eu voo!” (Flight of Icarus)

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    DU-SPFC-BBTA

    publicado há 13 horas

    Parabéns a essa mãe, que teve atitude e vai processar uma pessoa que nem sabe o que está falando. Essa diretora é daquelas pessoas da década de 70 e 80 que achavam que rock é coisa do Demônio, ou levou ao pe da letra a célebre frase do grande Raul Seixas: “O Diabo é o Pai do Rock”. O que será que la quer que o garoto ouça: Funk com letras totalmente pornográficas??? Ou pagodinhos com teor de erotismo?

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    Visitante

    publicado há 13 horas

    Rídiculo o que essa professora fez ao gatoto! Existem sim bandas seja de Rock, Axé, MPB o diabo a quatro que fazem música de conteúdo maligno, mas isso pode de forma alguma ser generalizado para um estilo musical, como gostam de fazer com o ROCK/METAL! As letras do Iron são críticas construtivas e históricas como alguém aqui disse. Vou torcer pelo futuro do garotinho na música, eu sou músico e sei o que é sofrer preconceitos do tipo! Nota 0 para essa escola e 1000 para a mãe do mlk! =D

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    Lord Archon

    publicado há 15 horas

    O mais legal disso tudo é o efeito contrario. O carinha vai ouvir muito mais Metal agora do que antes. Parabens a essa mãe.

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    radeobor

    publicado há 16 horas

    “A diretora informou que vai colocar no Facebook as imagens do menino em sala de aula para provar o que se passou na escola e de que forma ele foi tratado.” Como assim? cabe ai mais processo… ela vai divulgar isso em uma rede social? Não seria o caso de divulgar em juri? como defesa? Expor o garoto e as outras crianças principalmente eu creio q cabe mais um processo!!

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      Eduardo Amaro

      publicado há 8 horas

      Sim, amigo, é crime, se ela expuser as imagens do garoto, sem ordem judicial, ela estará violando a sua integridade psíquica, pois um garoto de 08 anos de idade não tem mentalidade para entender tais fatos. A lei é o Estatuto da Criança e Adolescente, Art. 17. O direito ao respeito consiste na inviolabilidade da integridade física, psíquica e moral da criança e do adolescente, abrangendo a preservação da imagem, da identidade, da autonomia, dos valores, idéias e crenças, dos espaços e objetos pessoais.

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    kotynha

    publicado há 17 horas

    Essa diretora deveria a principio se por no lugar dela, ao invés de tentar interferir nos gostos de uma criança, pque quem gosta de Rock, de Heavy Metal, vai gostar sempre, independente de pessoas rídiculas como esta diretora muito mal informada tentar mostrar uma coisa que ela imagina que seja…. Minha filha, leia mais, se informe mais, e conheça a história das grandes bandas de metal antes de vc. falar qualquer coisa.

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    Horus Nekhem

    publicado há 18 horas

    Essa diretora, Ana Maria Fernandes, não tem a menor idéia do que as letras das músicas do Iron Maiden dizem. Pela declaração que ela deu, seu conhecimento sobre a língua inglesa deve beirar ao nulo. Péssimo para uma diretora de escola. O mundo do rock pesado é o que menos apresenta artistas que abusam de drogas e que entregam a vida aos 27 anos. Por exemplo, As letras do Iron Maiden são composições baseadas em fatos e acontecimentos históricos. Se já fizeram alguma apologia, foi contra as guerras que devastam nosso mundo a milênios, grande parte em nome de religião e credos. O garoto tem um potencial e deveria ser incentivado e não destruído. Certo fez a mãe e o UOL por divulgar essa notícia. Shame on you, Ms. Fernandez! E agora corra atrás de um dicionário para entender.

Fonte:

http://noticias.uol.com.br/educacao/2011/08/03/menino-de-8-anos-e-repreendido-por-gostar-de-rock-pesado-e-dura-apenas-um-dia-em-escola-do-interior-de-sp.jhtm

Gênero Plural

(Algumas noções básicas sobre gênero, diversidade sexual e sexualidade no contexto contemporâneo: pontos para discussão, dúvidas e questionamentos mais freqüentes em formações com educadores/as do Paraná dos Núcleos Regionais de Educação)

Andrea Paula dos Santos (UFABC)

Alguns pontos para discussão levantados por pesquisadores e educadores

– Conceito de cultura – esclarecer; Parâmetros biológicos e parâmetros culturais nessa discussão;

– O que é Gênero? O que é Diversidade Sexual?

– Gênero e Diversidade como uma construção histórica;

– Sexo, gênero (diferença entre sexo e sexualidade): identidade sexual, identidade de gênero, orientação sexual – diferenciar!!!

– Orientação sexual – opção sexual – preferência sexual;

– Heteronormatividade

– Sujeitos múltiplos– gays, lésbicas, homossexuais, bissexuais, transsexuais, homem, mulher…;

– Comportamento – gênero, transsexualidade feminina;

– Masculinos e femininos…

– Esclarecimento como ação – respeito como meta;

– Respeito X aceitação “eu respeito, mas não aceito!”;

– Tolerância (?)

— Homofobia, violência;

Conceito de cultura; Parâmetros biológicos e parâmetros culturais

Definições de cultura

* Fenômeno unicamente humano, a cultura se refere à capacidade que os seres humanos têm de dar significado às suas ações e ao mundo que os rodeia.

* As culturas são compartilhadas pelos indivíduos de determinados grupos, não se referindo a um fenômeno individual.

* Por outro lado, cada grupo de seres humanos, em diferentes épocas e lugares, atribui significados diferentes a coisas e passagens da vida aparentemente semelhantes.

*Hoje, podemos dizer que os seres humanos cada vez mais atribuem diferentes significados a fenômenos semelhantes, mesmo no mesmo período que vivem, conforme os lugares e grupos que transitam.

Trans/interculturalidade

Estudiosos latino-americanos propuseram, ainda, o termo transculturalidade como apropriado para desnaturalizar as questões de hegemonia cultural, sendo o radical “trans” visto como portador do sentido de movimento multi e bidirecional e, também, complementar.

Alguns chamam a esse mesmo fenômeno de interculturalidade.

Não existe nenhuma possibilidade de compreender o biológico separado do cultural, pois este só é legível para os sujeitos e grupos sociais por meio de práticas culturais, expressas por linguagens e sempre construídas historicamente. Biologia, por exemplo, como área de conhecimento, faz parte da cultura científica que tenta criar formas de interpretar a natureza.

E, nessa perspectiva de inter/transculturalidade, como fica a questão das identidades? E as atividades de pesquisa? E as políticas públicas? E a educação?

O que é Gênero? O que é Diversidade Sexual?

Nos estudos de gênero o termo gênero é usado para se referir às construções sociais e culturais de masculinidades e feminilidades.

Diferenças biológicas e diferenças culturais não são separáveis.

Judith Butler reconhece os papéis de gênero como uma prática, algumas vezes referidas como “performativas”.

Relações de gênero:

Relações existentes entre as pessoas, a partir de apropriação cultural das diferenças sexuais que serve de base à organização econômica, política, social e cultural da sociedade.

Essas relações são historicamente construídas e mudam ao longo do tempo e entre culturas diferentes.

Em nossa sociedade patriarcal, existe a dominação masculina que transformou as diferenças entre gêneros em desigualdades que fundamentam e legitimam as desigualdades econômicas, políticas, sociais e culturais (ex. divisão sexual do trabalho), que precisam ser questionadas e enfrentadas pelos sujeitos das políticas públicas.

Gênero e Diversidade como uma construção histórica

Diversidade Sexual é o termo usado para designar as várias formas de expressão da sexualidade humana.

Sujeitos múltiplos– homens/transexuais/travestis gays, mulheres/transexuais/travestis lésbicas, homossexuais, homens/mulheres/transexuais/travestis/bissexuais, transexuais, travestis, homem, mulher…

Diferenças entre sexo, gênero e sexualidade

Sexo – refere-se às diferenças biológicas entre as pessoas, que foram historicamente definidas como polarizadas entre homens e mulheres em várias sociedades, mas que hoje tem novas problematizações e definições.

Gênero – apropriação e significação cultural do sexo e da sexualidade.

Sexualidade – dimensão da vida humana que se refere às práticas e experiências em torno das complexas relações entre identidade sexual e de gênero, em cruzamento cultural de aspectos biológicos e afetivos.

Identidades de gênero

identidade de gênero se refere ao gênero em que a pessoa se identifica: como homem, mulher, transexual, travesti, homem-mulher ou fora dessas definições.

pode referir-se ao gênero que uma pessoa atribui a outra tendo como base o que esta reconhece como indicações de papel social de gênero (roupas, corte de cabelo, etc.).

a identidade de gênero pode ser afetada por uma variedade de estruturas sociais, incluindo etnicidade, trabalho, religião ou não-religião, família, política…

o termo “identidade de gênero” não tem necessariamente relação com o sexo do indivíduo através da análise da genitália externa, dos genes ou dos cromossomos.

Variações nas identidades de gênero

Algumas pessoas sentem que sua identidade de gênero não corresponde com o que foi definido como seu sexo biológico, sendo identificadas por pessoas transexuais ou pessoas intersexo em algumas situações. Como a sociedade insiste que os indivíduos devem seguir a maneira de expressão social (papel social de gênero) baseada no sexo, estas pessoas sofrem uma pressão social adicional.

Por outro lado, existem também indivíduos transgêneros em que a identidade de gênero não está conforme a norma social dos dois gêneros macho/fêmea, independentemente de terem ou não concordância com o sexo biológico com a maioria das suas manifestações de gênero social.

Orientação sexual

A orientação sexual indica qual o gênero (por exemplo, masculino, feminino) que uma pessoa se sente preferencialmente atraída fisicamente e/ou emocionalmente.

A orientação sexual pode ser assexual (nenhuma atração sexual), bissexual (atração por ambos os gêneros), heterossexual (atração pelo gênero oposto), homossexual (atração pelo mesmo gênero), ou pansexual (atração por diversos gêneros, quando se aceita a existência de mais de dois gêneros). O termo pansexual (ou também omnissexual) pode ser utilizado, ainda, para indicar alguém que tem uma orientação mais abrangente (incluindo por exemplo, atração específica por transgêneros).

A orientação sexual não-heterossexual foi removida da lista de doenças mentais nos EUA em 1973; e do CID 10 (Clasificação Internacional de Doenças) editado pela OMS Organização Mundial da Saude, só em 1993. Os transtornos de identidade de gênero que englobam Travestis e Transexuais permanecem classificadas na CID-10 considerando que, nesses casos, terapias hormonais e/ou cirurgia de redesignação de sexo são, algumas vezes, indicadas pela medicina.

Orientação sexual X opção ou preferência sexual

O termo orientação sexual é considerado, atualmente, mais apropriado do que opção sexual ou preferência sexual.

Isso porque opção indica que uma pessoa teria escolhido a sua forma de desejo, coisa que muitas pessoas consideram como sem sentido.

Assim como o heterossexual não escolheu essa forma de desejo, o/a homossexual (tanto feminino como masculino) também não, pois, segundo pesquisas recentes esta orientação poderá estar determinada por fatores biogenéticos, sejam questões hormonais in utero ou genes que possam determinar esta predisposição.

É importante esclarecer que há grande imposição do modelo heterossexual para todos. Em alguns casos, pode não existir a preocupação em conhecer o nível ou qualidade de vida afetiva, nível de prazer ou felicidade que uma pessoa possa ter, mas sim que ela deveria ser heterossexual. Por conta dessa forte imposição, muitas pessoas podem encontrar alívio dos desejos homoeróticos na religiosidade fanática, nos remédios, nas drogas ou mesmo, adotando um padrão escondido ou de vida dupla: no seu entorno social e familiar assumem um comportamento heterossexual e num mundo privado permitem-se exercer a sua homossexualidade, situação esta que cria um maior ou menor conflito interior e assim as suas repercusões posteriores nesse ser humano.

Heteronormatividade

Heteronormatividade (do grego hetero, “diferente”, e norma, “esquadro” em latim) é um termo usado para descrever situações nas quais variações da orientação heterossexual são marginalizadas, ignoradas ou perseguidas por práticas sociais, crenças ou políticas.

Isto inclui a idéia de que os seres humanos recaem em duas categorias distintas e complementares: macho e fêmea; que relações sexuais e maritais são normais somente entre pessoas de sexos diferentes; e que cada sexo têm certos papéis naturais na vida.

Assim, sexo físico, identidade de gênero e papel social de gênero deveriam enquadrar qualquer pessoa dentro de normas integralmente masculinas ou femininas, e a heteronormatividade é considerada como sendo a única orientação sexual normal.

As normas que este termo descreve ou critica podem ser abertas, encobertas ou implícitas. Aqueles que identificam e criticam a heteronormatividade dizem que ela impõem um discurso ao estigmatizar conceitos desviantes tanto de sexualidade quanto de gênero e tornam certos tipos de auto-expressão mais difíceis.

O termo foi criado por Michael Warner em 1991, em uma das primeiras grandes obras sobre a teoria queer. O conceito possui raízes na noção de Gayle Rubin do “sistema sexo/gênero” e na idéia de Adrienne Rich de heterossexualidade compulsória.

Numa série de artigos, Samuel A. Chambers tentou teorizar a heteronormatividade mais explicitamente, clamando por uma compreensão da heteronormatividade como um conceito que revela as expectativas, demandas e restrições produzidas quando a heterossexualidade é tomada como normativa dentro de uma sociedade.

Cathy J. Cohen define a heteronormatividade como a prática e as instituições “que legitimam e privilegiam a heterossexualidade e relacionamentos heterossexuais como fundamentais e ‘naturais’ dentro da sociedade”. Sua obra enfatiza a importância da sexualidade envolvida em estruturas maiores de poder, intersectando com e inseparável de raça, gênero e opressão de classe. Por ex. mães solteiras ou trabalhadores do sexo heterossexuais não são considerados heteronormativos.

A heteronormatividade tem sido usada na exploração e crítica em normas tradicionais de sexo, identidade de gênero, papel social de gênero e sexualidade, e das implicações sociais destas instituições.

Ela é descritiva de um sistema dicotômico de categorização que vincula diretamente comportamento social e auto-identidade com a genitália do indivíduo.

Isto significa (entre outras coisas) que, visto que existem conceitos estritamente definidos de virilidade e feminilidade, existem paralelamente comportamentos esperados tanto de homens quanto de mulheres.

Homofobia

é um termo utilizado para identificar o ódio, aversão ou a discriminação de uma pessoa contra homossexuais ou homossexualidade, ou genericamente de modo pejorativo, qualquer expressão de crítica ou questionamento ao comportamento homossexual.

– exemplo de homofobia “inconsciente”: ‘Incentivo” (quando se discutem essas questões, e as pessoas dizem: “estão incentivando o sexo, o homossexualismo…”);

Desafios/Temas de pesquisa e políticas públicas atuais sobre (pós)identidades de gênero e de fronteira

– Desconstrução da heteronormatividade e das suas expressões de poder;

– Enfrentamentos da Homofobia, considerando-a como violência grave aos direitos humanos, com formulação e execução de várias políticas pós-identitárias;

– Reflexões sobre o que significa tolerância e se essa perspectiva pode ou não contribuir para enfrentar o desafio acima:

A tolerância, do latim tolerare (sustentar, suportar), é um termo que define o grau de aceitação diante de um elemento contrário a uma regra moral, cultural, civil ou física.

Do ponto de vista da sociedade, a tolerância define a capacidade de uma pessoa ou grupo social de aceitar, noutra pessoa ou grupo social, uma atitude diferente das que são a norma no seu próprio grupo. Numa concepção moderna é também a atitude pessoal e comunitária face a valores diferentes daqueles adotados pelo grupo de pertença original.

– Reflexões sobre o conceito de tolerância se aplicam em diversos domínios, e aqui se refere particularmente a um deles, para possibilitar políticas públicas de defesa ampla dos direitos humanos:

– Tolerância social: atitude de uma pessoa ou de um grupo social diante daquilo que é diferente de seus valores morais ou de suas normas.

– Esclarecimento como ação – respeito e/ou aprender com a diversidade como meta das políticas;

Respeito é o apreço por, ou o sentido do valor e excelência de, uma pessoa, qualidade pessoal, talento, ou a manifestação de uma qualidade pessoal ou talento.

Em certos aspectos, o respeito manifesta-se como um tipo de ética ou princípio, tal como no conceito habitualmente ensinado de “[ter] respeito pelos outros” .

– Desafios para educação e políticas que respeitem os direitos humanos, que é onde devemos situar a questão de gênero e das diversidades:

Políticos: vontade política para colocar a questão de gênero e das diversidades como central e não um penduricalho nas políticas públicas.

Econômicos: recursos financeiros, humanos e materiais, a altura desse desafio.

Culturais: mudança efetiva da mentalidade dos sujeitos das políticas públicas, sendo mais coerentes em suas práticas, quando fazem o discurso das igualdades, mas mantém desigualdades históricas na vida cotidiana e na atividade política.

Não existe possibilidade concreta de formação educacional/profissional que respeite os direitos humanos sem que haja o reconhecimento das diversidades, entre as quais as de gênero, sexuais, étnicas!

É preciso promover a igualdade entre diferentes, realizando políticas públicas que dêem condições especiais àqueles que são vítimas históricas das desigualdades, como é o caso de mulheres, gays, lésbicas, transsexuais, travestis, bissexuais, e sujeitos dos grupos étnicos historicamente massacrados como, por exemplo, negros e indígenas.

Mais do que afirmar e se contentar com a noção de que respeito ou tolero a diversidade, é preciso considerar e exercitar que tentamos aprender com a diversidade.

Assim, vamos, com muitas dificuldades e resistências, também nos tornando diferentes quando conseguimos enxergar a diversidade ao redor. E nos tornamos diferentes do que já fomos quando ignorávamos ou ficávamos indiferentes a tudo isso!

Fahrenheit 451: filme clássico do grande cineasta François Truffaut

Num futuro hipotético, os livros e toda forma de escrita são proibidos por um regime totalitário, sob o argumento de que fazem as pessoas infelizes e improdutivas.

Se alguém é flagrado lendo é preso e “reeducado”. Se uma casa tem muitos livros e um vizinho denuncia, os “bombeiros” são chamados para incendiá-la. Montag é um desses bombeiros. Chamado para agir numa casa “condenada”, ele começa a furtar livros para ler. Seu comportamento começa a mudar, até que sua mulher, Linda, desconfia e o denuncia. Enquanto isso, ele mantém amizade com Clarisse, uma mulher que conhecera no metrô.

Ela o incentiva e, quando ele começa a ser perseguido (e morto, segundo a versão televisiva oficial), ela o leva à terra dos homens-livro, uma comunidade formada por pessoas que memorizavam seus livros e também eram perseguidas. Essas pessoas decoravam os livros, para publicá-los quando não fossem mais proibidos, e os destruíam.

Fonte:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Fahrenheit_451_(filme)

Artigo idstribuído na aula:
Um Estudo do Discurso Psicanalítico no Filme Fahrenheit 451: a destruição do conhecimento, de Paula Puhl

http://seer.ufrgs.br/intexto/article/view/4081