Sobre Aulas de 14 a 30 de julho e início de agosto, final de quadrimestre

14/7 – Aula 14

Nesta aula, propomos um debate e uma prática interessante sobre o que ocorreu em Identidade e Cultura em 2014:

A Universidade e o debate e as reflexões “sobre o uso de fita adesiva”

 

Prezado Ricardo, conheço as normas, entendo os argumentos e justificativas impostas por um grupo na universidade, porém não concordo com as mesmas e defendo que sejam colados cartazes,avisos, trabalhos e expressões artísticas dos estudantes em qualquer lugar da universidade, a exemplo do que acontece em outras universidades como uma das maiores do mundo onde estudei, a USP, onde existe tudo isso – e talvez exatamente por existirem coisas assim –  saem pessoas formadas como bons profissionais que se preocupam em ver e ler a estética do que está escrito, desenhado, pintado, colado e fotografado, e não na estética da parede sem nada a expressar a não ser um sentido de disciplina e ordem furada que não tem nada a ver com a educação plural e democrática do século XXI que está no nosso projeto pedagógico.

Como educadora, escritora, professora e pesquisara, entendo que trabalhamos com arte, cultura e educação e num local público, não numa empresa ou indústria qualquer ou hospital ou prisão. A estética de uma universidade no Brasil e mundo afora é muito diferente desse padrão imposto por uma visão de um grupo que administra esse local como se fosse uma das indústrias, hospitais ou prisões do ABC paulista. Fiquei surpresa com a falta de visão do que é educação quando retiraram nossos trabalhos argumentando sobre a visita do MEC. São exatamente nossos trabalhos que dão cara de universidade para esse espaço e ninguém fica retirando esse tipo de trabalho das paredes da USP, da Unicamp, da Unifesp, etc!
Todo ano, esse espaço é pintado independente de estar danificado ou não, com recursos públicos que são descontados também direto do meu salário, pois isso já é previsto pela administração. E houve ano que vi ser pintado sem nem precisar fazê-lo apenas para gastar a tinta e justificar esses argumentos burocráticos e essa visão equivocada e unilateral do que não tem mais nada a ver com o que aqueles boa parte daqueles que estudam, ensinam e pesquisam acham que deve ser um espaço educativo e cultural. Eu, os estudantes e outros professores e funcionários da UFABC preferimos que esse espaço educativo tenha os cartazes e as expressões culturais e as marcas de uso e vivência do que deixá-lo com cara de recepção de dentista ou do Poupatempo. esses displays que é a maior burocracia e demora para conseguir usar para uma atividade prática do dia a dia são, além disso, horríveis, péssimos para o tipo de trabalho que fazemos, e ninguém nos perguntou quando foram comprá-los com o nosso dinheiro público se eram adequados e interessantes para nossas atividades. Entendo qual é o trabalho de vocês e espero que entendam também qual é o meu trabalho e o meu ponto de vista, respeitando nossas práticas educativas e utilizando de fato os recursos da educação pública para ocupar os espaços públicos e não deixá-los vazios e inúteis, sem cor ou significado, servindo mais como local de passagem do que de convivência. Se as paredes ficaram assim é porque o que estava nela foi retirado. Se ficassem lá, as pessoas olhariam as estéticas das mensagens educativas, culturais e artísticas e não se a tinta descolou ou não da parede feita muitas vezes com material de péssima qualidade superfaturado para beneficiar as construtoras e outras empresas terceirizadas que exploram o trabalho de pessoas subcontratadas por baixos salários e que poderiam, não fosse essa visão administrativa herdeira do escravismo colonial, serem funcionários públicos da educação e entenderem que a Universidade sempre teve e terá outra cara em seus espaços de vivência, porque nós que trabalhamos e habitamos esse espaço todos os dias pensamos e criamos sobre ele, não apenas passamos por ele e aceitamos as normas que não correspondem com o ambiente cultural e educativo que queremos viver e contruir no dia-a-dia.
Mais uma vez, muito obrigada pela atenção, e qualquer esclarecimento, estou à disposição!
Para maior entendimento das nossas práticas e de nossa perspectiva de trabalho educativo, disponibilizamos o blog da nossa disciplina justifica na teoria e na prática nossas atividades educacionais e culturais e mostra os estudantes estudando e fazendo bons trabalhos aí, ao invés de estarem roubando, (se) matando, (se) destruindo ou fazendo coisas consideradas bem piores: https://identidadesculturas.wordpress.com/
Atenciosamente,
Andrea Paula

O que é o ato de criação e os novos Universos de referência do Gilles Deleuze e do Félix Guattari

“O melhor é a criação; a invenção de novos Universos de referência…” Félix GuattariCaosmose. SP: Ed. 34, 1992, p. 15

“O que é ter uma ideia? Ter uma ideia não é alguma coisa de geral… Uma ideia já é destinada a tal ou qual domínio.

Quero dizer que uma ideia em pintura, uma ideia em romance, uma ideia em filosofia, uma ideia em ciencia – e evidentemente uma pessoa não pode ter todas elas… se vocês querem as ideias é preciso tratá-las como potências, potenciais já comprometidos com tal o qual modo de expressão. Em função das técnicas que eu conheço, eu posso ter uma ideia em tal domínio, seja em cinema ou em filosofia.

O que é ter uma ideia ‘em’ alguma coisa? Os conceitos, é preciso fabricá-los (…) E é preciso que se tenha uma necessidade, caso contrário, não se tem nada. Uma necessidade, que é uma coisa bastante complexa, se ela existe, faz com que o sujeito se proponha a inventar, criar conceitos.

Não há distância nisso entre a criação em ciência ou em arte.

Assim digo que não se trata de dizer se a ideia é verdadeira ou falsa. A questão é saber se ela é importante, é interessante, é bela…” ” (O que é o ato de criação do Gilles Deleuze da Andrea Paula)

A Universidade e o debate e as reflexões “sobre o uso de fita adesiva”

Prezada Profª Andrea, bom dia.
A Prefeitura Universitária, no cumprimento de suas atribuições, reitera o pedido para que não sejam afixados materiais ou conteúdos de aulas em locais não projetados para isso, tais como paredes, portas, placas, painéis, batentes, caixilhos e congêneres. Para tanto, dispomos de displays; esses podem ser solicitados a qualquer momento à equipe de zeladoria da UFABC.  A utilização de fita adesiva de qualquer espécie com essa finalidade acaba por danificar os acabamentos e texturas. Esses danos demandam serviços de limpeza e reparos, geram custos e comprometem a estética. As fotos que seguem anexas (após atividades no térreo do Bloco Beta) ilustram e justificam o nosso pedido reiterado.
Contamos com a sua colaboração, nos mantendo à disposição para auxiliá-la nessa ou em qualquer outra questão que possa otimizar a realização de oficinas e atividades coletivas em áreas comuns de nossos campus universitários.

Atenciosamente,
Ricardo Soares Lima
Subprefeito do Campus São Bernardo do Campo
Fundação Universidade Federal do ABC – UFABC
Bloco Beta – 2º andar
(11) 2320-6050

 

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Prezado Ricardo, conheço as normas, entendo os argumentos e justificativas impostas por um grupo na universidade, porém não concordo com as mesmas e defendo que sejam colados cartazes,avisos, trabalhos e expressões artísticas dos estudantes em qualquer lugar da universidade, a exemplo do que acontece em outras universidades como uma das maiores do mundo onde estudei, a USP, onde existe tudo isso – e talvez exatamente por existirem coisas assim –  saem pessoas formadas como bons profissionais que se preocupam em ver e ler a estética do que está escrito, desenhado, pintado, colado e fotografado, e não na estética da parede sem nada a expressar a não ser um sentido de disciplina e ordem furada que não tem nada a ver com a educação plural e democrática do século XXI que está no nosso projeto pedagógico.

Como educadora, escritora, professora e pesquisara, entendo que trabalhamos com arte, cultura e educação e num local público, não numa empresa ou indústria qualquer ou hospital ou prisão. A estética de uma universidade no Brasil e mundo afora é muito diferente desse padrão imposto por uma visão de um grupo que administra esse local como se fosse uma das indústrias, hospitais ou prisões do ABC paulista. Fiquei surpresa com a falta de visão do que é educação quando retiraram nossos trabalhos argumentando sobre a visita do MEC. São exatamente nossos trabalhos que dão cara de universidade para esse espaço e ninguém fica retirando esse tipo de trabalho das paredes da USP, da Unicamp, da Unifesp, etc!
Todo ano, esse espaço é pintado independente de estar danificado ou não, com recursos públicos que são descontados também direto do meu salário, pois isso já é previsto pela administração. E houve ano que vi ser pintado sem nem precisar fazê-lo apenas para gastar a tinta e justificar esses argumentos burocráticos e essa visão equivocada e unilateral do que não tem mais nada a ver com o que aqueles boa parte daqueles que estudam, ensinam e pesquisam acham que deve ser um espaço educativo e cultural. Eu, os estudantes e outros professores e funcionários da UFABC preferimos que esse espaço educativo tenha os cartazes e as expressões culturais e as marcas de uso e vivência do que deixá-lo com cara de recepção de dentista ou do Poupatempo. esses displays que é a maior burocracia e demora para conseguir usar para uma atividade prática do dia a dia são, além disso, horríveis, péssimos para o tipo de trabalho que fazemos, e ninguém nos perguntou quando foram comprá-los com o nosso dinheiro público se eram adequados e interessantes para nossas atividades. Entendo qual é o trabalho de vocês e espero que entendam também qual é o meu trabalho e o meu ponto de vista, respeitando nossas práticas educativas e utilizando de fato os recursos da educação pública para ocupar os espaços públicos e não deixá-los vazios e inúteis, sem cor ou significado, servindo mais como local de passagem do que de convivência. Se as paredes ficaram assim é porque o que estava nela foi retirado. Se ficassem lá, as pessoas olhariam as estéticas das mensagens educativas, culturais e artísticas e não se a tinta descolou ou não da parede feita muitas vezes com material de péssima qualidade superfaturado para beneficiar as construtoras e outras empresas terceirizadas que exploram o trabalho de pessoas subcontratadas por baixos salários e que poderiam, não fosse essa visão administrativa herdeira do escravismo colonial, serem funcionários públicos da educação e entenderem que a Universidade sempre teve e terá outra cara em seus espaços de vivência, porque nós que trabalhamos e habitamos esse espaço todos os dias pensamos e criamos sobre ele, não apenas passamos por ele e aceitamos as normas que não correspondem com o ambiente cultural e educativo que queremos viver e contruir no dia-a-dia.
Mais uma vez, muito obrigada pela atenção, e qualquer esclarecimento, estou à disposição!
Para maior entendimento das nossas práticas e de nossa perspectiva de trabalho educativo, disponibilizamos o blog da nossa disciplina justifica na teoria e na prática nossas atividades educacionais e culturais e mostra os estudantes estudando e fazendo bons trabalhos aí, ao invés de estarem roubando, (se) matando, (se) destruindo ou fazendo coisas consideradas bem piores: https://identidadesculturas.wordpress.com/
Atenciosamente,
Andrea Paula

 

 

 

Aula 13

Nesta aula distribuímos e comentamos com cada grupo o texto:

 

Algumas noções básicas sobre gênero–  Gênero Plural: resumo de conceitos sobre identidade de gênero e diversidade sexual

 

As questões de gênero e diversidade sexual estão diretamente ligadas às temáticas de direitos humanos, identidade e cultura e dialogam com todos os temas apresentados em blogs individuais e de grupos. Portanto, ao conversar com cada grupo, destacamos a importância de que a produção nos blogs e nos murais, exposições e intervenções que estão sendo apresentados no Espaço de Vivência promovam essa ligação com conceitos e questões que envolvem o combate aos preconceitos e a valorização da diversidade humana.

 

Traga o seu trabalho e o do seu grupo para fazer e apresentar no Espaço de Vivência! Participe do nosso Clube de Trocas! Faltam apenas três semanas para que seja iniciado o processo de auto-avaliação individual e contamos com o desenvolvimento dos processos de trabalho nesse mês de agosto para que ocorra o desfecho das criações coletivas em Identidade e Cultura: bom trabalho nessa reta final!

Aula 12

Nesta aula, distribuímos e comentamos o livro “Identidade”, de Zygmunt Bauman:

Identidade

 

A identidade, como sentido de pertencimento e de localização no tempo e no espaço, pode parecer que é algo muito palpável, fixo e objetivo. Porém, o famoso sociólogo nos alerta que no contexto atual do capitalismo tardio, vivemos o que ele denomina de modernidade líquida, na qual qualquer busca por uma identidade estável dentro de uma comunidade segura é impossível. Isso ocorre por conta da velocidade das transformações, dos excessos de deslocamentos, das fragilidades dos laços humanos, da descartabilidade das relações sociais e dos estilos de vida que são vendidos e consumidos vorazmente.

Nesse sentido, Bauman faz uma crítica de uma visão ingênua de que a contrução de identidades é algo sempre bom, porque ele enfatiza que a busca por um sentido de pertencimento num grupo pode favorecer mais a demarcação de diferenças que sejam transformadas em desigualdades, gerando conflitos e intolerâncias nacionalistas, religiosas, políticas, étnicas, culturais etc.

Leia este e outros livros de Bauman (“Comunidade”, “Modernidade Líquida”, “Medo Líquido”, “Amor Líquido”, “Tempos Líquidos”, “Ensaios sobre o conceito de cultura”…) e faça ligações dessas questões com os temas do seu blog individual e do seu grupo, destacando quando as identidades e as comunidades construídas interferem na definição do que são os sujeitos e os grupos sociais na contemporaneidade.

concreta moderno

Fonte: http://deacordocom.blogspot.com.br/2011/05/o-pensamento-no-brasil.html

 

Aula 11

O texto distribuído e comentado na aula de hoje no Espaço de Vivência foi:

Toxicômanos de identidade, de Suely Rolnik

Toxicômanos de identidade

 

Também falamos do famoso livro de Marc Augé (quem achar em pdf, por favor, compartilhe!),

 

marcaugé

 

NAO LUGARES

INTRODUÇAO A UMA ANTROPOLOGIA DASUPERMODERNIDADE

 

E também do livro de Nestor Garcia Canclini, Consumidores e Cidadãos (se achar em pdf em português, idem!), do qual compartilhamos um capítulo do original em espanhol da nossa Biblioteca:

 

– Capítulo de livro:  Consumidores y ciudadanos. Conflictos multiculturales de la globalización. México, Grijalbo, 1995, pp. 41-55

“El consumo sirve para pensar”

garcia_canclini._el_consumo_sirve_para_pensar

 

canclini consumidorescidadaos

 

Discutimos como identidades e subjetividades constroem e desconstroem territórios. Falamos de como, no contexto da globalização, as identidades são oferecidas como perfis-padrão para serem consumidos e descartados, além de abordar como os estímulos gerados no mundo contemporâneo pela propraganda e todo tipo de mídia são agenciados por nossas subjetividades em crise, em processos complexos.

No que estas questões, e as propostas pelos textos das aulas anteriores, podem se relacionar com o seu trabalho individual e do seu grupo? Façam suas postagens e tragam seus temas em cartazes e intervenções na próxima sexta-feira, para uma primeira rodada de contribuição, crítica e intervenção!

CADÊ O SEU TRABALHO E O DO SEU GRUPO NO ESPAÇO DE VIVÊNCIA???

 

 

 

Imagens de convívio e processos de trabalho na Aula 10

Aula 10

Na aula de hoje, distribuímos e comentamos o artigo “A produção social da identidade e da diferença”, de Tomaz Tadeu da Silva

A produção social da identidade e da diferença

Destacamos que as identidades (sentidos de pertencimento a grupos e de localização no tempo e no espaço) são socialmente construídas não apenas pelo que as pessoas reconhecem que possuem em comum com outras pessoas. As diferenças fazem parte de qualquer processo de construção identitária, pois demarcam, por meio da alteridade, do reconhecimento ou não do outro, o que queremos dizer que somos ou que não somos dentro e fora dos grupos que circulamos.

O problema é quando as diferenças são naturalizadas e transformadas em desigualdades. Pessoas e grupos que marcam diferenças para dizer que são melhores que outros acabam por fomentar desigualdades e dizer que as mesmas são naturais, negando sua construção social. Essas práticas de transformação de diferenças em desigualdades geram inúmeros conflitos, preconceitos e guerras. Diferenças de gênero, sexualidade e orientação sexual; diferenças étnicas; diferenças geracionais; diferenças socioeconômicas; diferenças políticas; diferenças religiosas; entre outras, são constantemente transformadas em desigualdades, em formas de hierarquização, de classificação arbitrária dos sujeitos, e é exatamente isso que estamos criticando nessas aulas de Identidade e Cultura.

Trazemos para reflexão a necessidade de problematizar atitudes preconceituosas de sujeitos e de comunidades que se consideram superiores por algum tipo de diferença e acabam por propor a dominação e a eliminação do outro, justificando injustiças por meio da naturalização de desigualdades que foram inventadas a partir da demarcação de diferenças como desigualdades entre grupos e sujeitos.

Nossas perguntas são: o que essas ideias, críticas e reflexões tem a ver com suas opiniões, observações e análises temáticas no seu blog e no blog do seu grupo?

 

 

 

 

Cultura visual e cultura digital / Interdisciplinaridade e Transdisciplinaridade

cultura digital

Cultura visual e cultura digital

O que se denomina como cultura visual? Por que alguns estudiosos, educadores, artistas, cientistas consideram a cultura visual como típica do nosso tempo? Por que boa parte das pesquisas sobre cultura visual é desenvolvida no campo dos Estudos Culturais, da Semiótica, da Artemídia?

Seguem algumas definições de cultura visual que interessam para se debater fundamentos e temas em Ciência, Tecnologia e Sociedade; Arte, Ciência e Tecnologia e Arte/Educação. Uma definição é mais abrangente: ressalta a diversidade do mundo de imagens, processos de visualização e de modelos de visualidade. Destaca a importância dos modos de ver e da experiência visual como paradigma da nossa época e aborda as representações como práticas de significação. São imagens e mediações que tornam a sociedade possível.

Outra definição é mais restrita: enfatiza a cultura de tempos recentes marcados pela imagem digital e virtual sob domínio da tecnologia. Marca a centralidade do olhar na cultura ocidental e revela o ocularcentrismo como base do pensamento científico ocidental. A visualidade é tratada como ponte entre representação e poder cultural na era da globalização.

Cultura visual, Estudos Visuais, História Visual… destacam que os sentidos/significados não estão investidos nos objetos, mas sim nas relações humanas. A cultura visual é uma produção social e o olhar uma construção cultural. Há interesse nos processos e práticas cotidianas de olhar, de exposição, de significação para além do estudo das imagens (produção, circulação, apropriação). E compreende-se que a experiência visual não se realiza de modo isolado, e a representação visual é parte de um conjunto entrelaçado de práticas e discursos que envolvem outros sentidos da percepção.

Por tudo isso, como podemos notar, seria muito difícil tratar de fundamentos e temáticas em Ciência, Tecnologia e Sociedade sem estudarmos e reconhecermos características básicas do que se denomina de cultura visual.

Por outro lado, hoje vivemos o tempo da cultura digital, que transforma percepções, cognições, representações do real, sociabilidade, modos de vida, culturas, práticas e expressões artísticas e culturais. Mas o que é isso? A cultura digital constituiu-se numa ampla e complexa rede de representações e formas de sociabilidade produzidas em linguagens múltiplas (visual, audiovisual, oral, musical, escrita) que convergem, se misturam, se entrelaçam em redes digitais por meio de tecnologias de informação e comunicação. A expressão mais visível da cultura digital em nosso cotidiano é a internet, porém ela vai muito além, para alguns estudiosos, configurando uma nova maneira de se estabelecer as relações entre sujeitos e grupos sociais, chamada de sociedade em rede, por Manuel Castells.

Os estudos acerca da cultura digital são muito importantes para se pensar fundamentos e temáticas em Ciência, Tecnologia e Sociedade pois, ao conectar tantas pessoas em contextos de diversidade cultural, abrem possibilidades de acesso a informações, de trabalho e de diálogos impensáveis até bem pouco tempo atrás.

O que destacamos, sobretudo, é que a cultura digital favorece para que muita gente possa produzir e não apenas consumir arte e cultura, problematizando as relações e os processos de produção científicos, artísticos e culturais advindos das instituições tradicionais. Esta delimitava fronteiras claras entre cientistas, artistas, outros profissionais (os que criam) e consumidores (os que recebem), relações hierarquizadas que podemos trazer para o campo educacional quando pensávamos em professores como os que ensinam conteúdos, e alunos como os que assimilam conteúdos, por exemplo. Debates importantes para nós incluem as seguintes questões: a cultura digital favorece a criatividade ou a passividade? Ou ambas? A cultura digital permite que tipo de produções e circulações/apropriações de representações, conhecimentos, tecnologias? Como cientistas, artistas, pesquisadores, educadores podem ser produtores e mediadores de conhecimentos no contexto da cultura digital? A cultura digital transforma a cognição e o que é a própria configuração do ser humano, colocando em pauta o chamado pós-humano? Essas questões estão em aberto e nos provocam, porque trazem e trarão muitas reflexões e propostas de trabalho interessantes nos próximos tempos…

Interdisciplinaridade e Transdisciplinaridade

A ciência moderna construiu muitos conhecimentos por meio das áreas disciplinares. Podemos atribuir grande parte do desenvolvimento da sociedade capitalista ao trabalho feito nas especialidades, por cientistas, pesquisadores, artistas, estudiosos.

Sem áreas específicas de saber, como as Artes, a História, as Ciências Sociais, a Medicina, a Matemática, a Química, a Física, a Biologia, por exemplo, talvez não tivéssemos criado tantos conhecimentos que possuem aplicabilidade na vida cotidiana no mundo ocidental.

Porém, esse mesmo desenvolvimento social na modernidade, tornou mais complexa a vida e a organização da sociedade.

Com o tempo, as pessoas formadas em áreas de conhecimento específicas passam a perceber a urgência de se criar ligações entre saberes específicos para conseguir compreender e atuar sobre os problemas do mundo.

Surgem perspectivas interdisciplinares, que buscam tratar temáticas com a contribuição de várias áreas de conhecimento disciplinar, postas lado a lado. As Artes, as Humanidades, as Ciências Naturais e Exatas caminham juntas em projetos de pesquisa, novas formulações teóricas e criações de novos conhecimentos e saberes.

Das práticas interdisciplinares surgem perspectivas transdisciplinares, ou seja, da mistura de saberes especializados criam-se outros novos saberes e campos de conhecimento, que buscam pluralizar pontos de vista, teorias, propostas de estudo, e não aceitam mais hierarquizações que dizem qual ou tal área é mais importante para estudar um tema.

Um exemplo de novo campo de saber que tornou-se área de conhecimento recente são os Estudos Culturais, e alguns acreditam que Arte/Educação e Arte, Ciência e Tecnologia também se configuram de forma transdisciplinar – sem contar inúmeras outras novas áreas de conhecimento no campo das Ciências Exatas e Naturais – como espaço de produções de saberes antes inexistentes, talvez sem condições de serem gerados em uma ou outra especialidade.

Em novas áreas como essas, as Artes, as Humanidades e as Ciências podem então atuar tanto lado a lado quanto atravessar temáticas, questionando fronteiras entre as ciências e seus objetos de estudo. Afinal, artistas podem ser cientistas, educadores, técnicos ou tecnólogos e vice-versa, como sabemos. Mais do que isso, o olhar trazido pelas artes pode trazer outras visões, problemas, dilemas, soluções onde observadores de outras áreas não enxergavam nada ou muito pouco…

Em tais perspectivas de trabalho transdisciplinares, o conhecimento e a compreensão da diversidade cultural é uma das temáticas mais destacadas, com ênfase no reconhecimento de conflitos entre culturas, e na multiplicidade de tecnologias culturais e artísticas que cada sujeito e/ou grupo social cria e utiliza para viver e lidar cotidianamente.

Aula 9

Nesta aula distribuímos e continuamos a comentar acerca do livro: A identidade cultural na pós-modernidade, Stuart Hall

A identidade cultural na pós-modernidade, Stuart Hall

Esse texto é importante para o trabalho individual e de todos os grupos, pois trata da transformação das concepções de sujeito e de identidade, relacionando com nosso contexto atual.

Como esses conceitos e as reflexões de Stuart Hall se relacionam com seu blog e as temáticas do seu grupo?

Também demos continuidade aos processos de trabalho no nosso Espaço de Vivência, com nosso tradicional lanche coletivo e Clube de Trocas UFABC: participe!

Nas próximas aulas, tod@s estão convidados a apresentar seus trabalhos em blog, painéis, varais, cartazes e também a convidar @s colegas para interagir, dar sugestões e ajudar a fazer o desenvolvimento dos processos de trabalho, conforme combinamos…

Até sexta :)))