25/6 e 30/6 – Aula 10 e 11: Cultura Visual, cultura digital, inter/transdisciplinaridades

cultura digital

Cultura visual e cultura digital

O que se denomina como cultura visual? Por que alguns estudiosos, educadores, artistas, cientistas consideram a cultura visual como típica do nosso tempo? Por que boa parte das pesquisas sobre cultura visual é desenvolvida no campo dos Estudos Culturais, da Semiótica, da Artemídia?

Seguem algumas definições de cultura visual que interessam para se debater fundamentos e temas em Ciência, Tecnologia e Sociedade; Arte, Ciência e Tecnologia e Arte/Educação. Uma definição é mais abrangente: ressalta a diversidade do mundo de imagens, processos de visualização e de modelos de visualidade. Destaca a importância dos modos de ver e da experiência visual como paradigma da nossa época e aborda as representações como práticas de significação. São imagens e mediações que tornam a sociedade possível.

Outra definição é mais restrita: enfatiza a cultura de tempos recentes marcados pela imagem digital e virtual sob domínio da tecnologia. Marca a centralidade do olhar na cultura ocidental e revela o ocularcentrismo como base do pensamento científico ocidental. A visualidade é tratada como ponte entre representação e poder cultural na era da globalização.

Cultura visual, Estudos Visuais, História Visual… destacam que os sentidos/significados não estão investidos nos objetos, mas sim nas relações humanas. A cultura visual é uma produção social e o olhar uma construção cultural. Há interesse nos processos e práticas cotidianas de olhar, de exposição, de significação para além do estudo das imagens (produção, circulação, apropriação). E compreende-se que a experiência visual não se realiza de modo isolado, e a representação visual é parte de um conjunto entrelaçado de práticas e discursos que envolvem outros sentidos da percepção.

Por tudo isso, como podemos notar, seria muito difícil tratar de fundamentos e temáticas em Ciência, Tecnologia e Sociedade sem estudarmos e reconhecermos características básicas do que se denomina de cultura visual.

Por outro lado, hoje vivemos o tempo da cultura digital, que transforma percepções, cognições, representações do real, sociabilidade, modos de vida, culturas, práticas e expressões artísticas e culturais. Mas o que é isso? A cultura digital constituiu-se numa ampla e complexa rede de representações e formas de sociabilidade produzidas em linguagens múltiplas (visual, audiovisual, oral, musical, escrita) que convergem, se misturam, se entrelaçam em redes digitais por meio de tecnologias de informação e comunicação. A expressão mais visível da cultura digital em nosso cotidiano é a internet, porém ela vai muito além, para alguns estudiosos, configurando uma nova maneira de se estabelecer as relações entre sujeitos e grupos sociais, chamada de sociedade em rede, por Manuel Castells.

Os estudos acerca da cultura digital são muito importantes para se pensar fundamentos e temáticas em Ciência, Tecnologia e Sociedade pois, ao conectar tantas pessoas em contextos de diversidade cultural, abrem possibilidades de acesso a informações, de trabalho e de diálogos impensáveis até bem pouco tempo atrás.

O que destacamos, sobretudo, é que a cultura digital favorece para que muita gente possa produzir e não apenas consumir arte e cultura, problematizando as relações e os processos de produção científicos, artísticos e culturais advindos das instituições tradicionais. Esta delimitava fronteiras claras entre cientistas, artistas, outros profissionais (os que criam) e consumidores (os que recebem), relações hierarquizadas que podemos trazer para o campo educacional quando pensávamos em professores como os que ensinam conteúdos, e alunos como os que assimilam conteúdos, por exemplo. Debates importantes para nós incluem as seguintes questões: a cultura digital favorece a criatividade ou a passividade? Ou ambas? A cultura digital permite que tipo de produções e circulações/apropriações de representações, conhecimentos, tecnologias? Como cientistas, artistas, pesquisadores, educadores podem ser produtores e mediadores de conhecimentos no contexto da cultura digital? A cultura digital transforma a cognição e o que é a própria configuração do ser humano, colocando em pauta o chamado pós-humano? Essas questões estão em aberto e nos provocam, porque trazem e trarão muitas reflexões e propostas de trabalho interessantes nos próximos tempos…

Interdisciplinaridade e Transdisciplinaridade

A ciência moderna construiu muitos conhecimentos por meio das áreas disciplinares. Podemos atribuir grande parte do desenvolvimento da sociedade capitalista ao trabalho feito nas especialidades, por cientistas, pesquisadores, artistas, estudiosos.

Sem áreas específicas de saber, como as Artes, a História, as Ciências Sociais, a Medicina, a Matemática, a Química, a Física, a Biologia, por exemplo, talvez não tivéssemos criado tantos conhecimentos que possuem aplicabilidade na vida cotidiana no mundo ocidental.

Porém, esse mesmo desenvolvimento social na modernidade, tornou mais complexa a vida e a organização da sociedade.

Com o tempo, as pessoas formadas em áreas de conhecimento específicas passam a perceber a urgência de se criar ligações entre saberes específicos para conseguir compreender e atuar sobre os problemas do mundo.

Surgem perspectivas interdisciplinares, que buscam tratar temáticas com a contribuição de várias áreas de conhecimento disciplinar, postas lado a lado. As Artes, as Humanidades, as Ciências Naturais e Exatas caminham juntas em projetos de pesquisa, novas formulações teóricas e criações de novos conhecimentos e saberes.

Das práticas interdisciplinares surgem perspectivas transdisciplinares, ou seja, da mistura de saberes especializados criam-se outros novos saberes e campos de conhecimento, que buscam pluralizar pontos de vista, teorias, propostas de estudo, e não aceitam mais hierarquizações que dizem qual ou tal área é mais importante para estudar um tema.

Um exemplo de novo campo de saber que tornou-se área de conhecimento recente são os Estudos Culturais, e alguns acreditam que Arte/Educação e Arte, Ciência e Tecnologia também se configuram de forma transdisciplinar – sem contar inúmeras outras novas áreas de conhecimento no campo das Ciências Exatas e Naturais – como espaço de produções de saberes antes inexistentes, talvez sem condições de serem gerados em uma ou outra especialidade.

Em novas áreas como essas, as Artes, as Humanidades e as Ciências podem então atuar tanto lado a lado quanto atravessar temáticas, questionando fronteiras entre as ciências e seus objetos de estudo. Afinal, artistas podem ser cientistas, educadores, técnicos ou tecnólogos e vice-versa, como sabemos. Mais do que isso, o olhar trazido pelas artes pode trazer outras visões, problemas, dilemas, soluções onde observadores de outras áreas não enxergavam nada ou muito pouco…

Em tais perspectivas de trabalho transdisciplinares, o conhecimento e a compreensão da diversidade cultural é uma das temáticas mais destacadas, com ênfase no reconhecimento de conflitos entre culturas, e na multiplicidade de tecnologias culturais e artísticas que cada sujeito e/ou grupo social cria e utiliza para viver e lidar cotidianamente.

30/6 – Aula 11

O texto distribuído e comentado na aula de hoje no Espaço de Vivência foi:

Toxicômanos de identidade, de Suely Rolnik

Toxicômanos de identidade

Também falamos do famoso livro de Marc Augé (quem achar em pdf, por favor, compartilhe!),

marcaugé

NAO LUGARES

INTRODUÇAO A UMA ANTROPOLOGIA DASUPERMODERNIDADE

E também do livro de Nestor Garcia Canclini, Consumidores e Cidadãos (se achar em pdf em português, idem!), do qual compartilhamos um capítulo do original em espanhol da nossa Biblioteca:

– Capítulo de livro:  Consumidores y ciudadanos. Conflictos multiculturales de la globalización. México, Grijalbo, 1995, pp. 41-55

“El consumo sirve para pensar”

garcia_canclini._el_consumo_sirve_para_pensar

canclini consumidorescidadaos

Discutimos como identidades e subjetividades constroem e desconstroem territórios. Falamos de como, no contexto da globalização, as identidades são oferecidas como perfis-padrão para serem consumidos e descartados, além de abordar como os estímulos gerados no mundo contemporâneo pela propraganda e todo tipo de mídia são agenciados por nossas subjetividades em crise, em processos complexos.

No que estas questões, e as propostas pelos textos das aulas anteriores, podem se relacionar com o seu trabalho individual e do seu grupo? Façam suas postagens e tragam seus temas em cartazes e intervenções na próxima sexta-feira, para uma primeira rodada de contribuição, crítica e intervenção!

IMAGENS DE TRABALHO EM GRUPO DE 2014 NO ESPAÇO DE VIVÊNCIA

Cultura visual e cultura digital / Interdisciplinaridade e Transdisciplinaridade

cultura digital

Cultura visual e cultura digital

O que se denomina como cultura visual? Por que alguns estudiosos, educadores, artistas, cientistas consideram a cultura visual como típica do nosso tempo? Por que boa parte das pesquisas sobre cultura visual é desenvolvida no campo dos Estudos Culturais, da Semiótica, da Artemídia?

Seguem algumas definições de cultura visual que interessam para se debater fundamentos e temas em Ciência, Tecnologia e Sociedade; Arte, Ciência e Tecnologia e Arte/Educação. Uma definição é mais abrangente: ressalta a diversidade do mundo de imagens, processos de visualização e de modelos de visualidade. Destaca a importância dos modos de ver e da experiência visual como paradigma da nossa época e aborda as representações como práticas de significação. São imagens e mediações que tornam a sociedade possível.

Outra definição é mais restrita: enfatiza a cultura de tempos recentes marcados pela imagem digital e virtual sob domínio da tecnologia. Marca a centralidade do olhar na cultura ocidental e revela o ocularcentrismo como base do pensamento científico ocidental. A visualidade é tratada como ponte entre representação e poder cultural na era da globalização.

Cultura visual, Estudos Visuais, História Visual… destacam que os sentidos/significados não estão investidos nos objetos, mas sim nas relações humanas. A cultura visual é uma produção social e o olhar uma construção cultural. Há interesse nos processos e práticas cotidianas de olhar, de exposição, de significação para além do estudo das imagens (produção, circulação, apropriação). E compreende-se que a experiência visual não se realiza de modo isolado, e a representação visual é parte de um conjunto entrelaçado de práticas e discursos que envolvem outros sentidos da percepção.

Por tudo isso, como podemos notar, seria muito difícil tratar de fundamentos e temáticas em Ciência, Tecnologia e Sociedade sem estudarmos e reconhecermos características básicas do que se denomina de cultura visual.

Por outro lado, hoje vivemos o tempo da cultura digital, que transforma percepções, cognições, representações do real, sociabilidade, modos de vida, culturas, práticas e expressões artísticas e culturais. Mas o que é isso? A cultura digital constituiu-se numa ampla e complexa rede de representações e formas de sociabilidade produzidas em linguagens múltiplas (visual, audiovisual, oral, musical, escrita) que convergem, se misturam, se entrelaçam em redes digitais por meio de tecnologias de informação e comunicação. A expressão mais visível da cultura digital em nosso cotidiano é a internet, porém ela vai muito além, para alguns estudiosos, configurando uma nova maneira de se estabelecer as relações entre sujeitos e grupos sociais, chamada de sociedade em rede, por Manuel Castells.

Os estudos acerca da cultura digital são muito importantes para se pensar fundamentos e temáticas em Ciência, Tecnologia e Sociedade pois, ao conectar tantas pessoas em contextos de diversidade cultural, abrem possibilidades de acesso a informações, de trabalho e de diálogos impensáveis até bem pouco tempo atrás.

O que destacamos, sobretudo, é que a cultura digital favorece para que muita gente possa produzir e não apenas consumir arte e cultura, problematizando as relações e os processos de produção científicos, artísticos e culturais advindos das instituições tradicionais. Esta delimitava fronteiras claras entre cientistas, artistas, outros profissionais (os que criam) e consumidores (os que recebem), relações hierarquizadas que podemos trazer para o campo educacional quando pensávamos em professores como os que ensinam conteúdos, e alunos como os que assimilam conteúdos, por exemplo. Debates importantes para nós incluem as seguintes questões: a cultura digital favorece a criatividade ou a passividade? Ou ambas? A cultura digital permite que tipo de produções e circulações/apropriações de representações, conhecimentos, tecnologias? Como cientistas, artistas, pesquisadores, educadores podem ser produtores e mediadores de conhecimentos no contexto da cultura digital? A cultura digital transforma a cognição e o que é a própria configuração do ser humano, colocando em pauta o chamado pós-humano? Essas questões estão em aberto e nos provocam, porque trazem e trarão muitas reflexões e propostas de trabalho interessantes nos próximos tempos…

Interdisciplinaridade e Transdisciplinaridade

A ciência moderna construiu muitos conhecimentos por meio das áreas disciplinares. Podemos atribuir grande parte do desenvolvimento da sociedade capitalista ao trabalho feito nas especialidades, por cientistas, pesquisadores, artistas, estudiosos.

Sem áreas específicas de saber, como as Artes, a História, as Ciências Sociais, a Medicina, a Matemática, a Química, a Física, a Biologia, por exemplo, talvez não tivéssemos criado tantos conhecimentos que possuem aplicabilidade na vida cotidiana no mundo ocidental.

Porém, esse mesmo desenvolvimento social na modernidade, tornou mais complexa a vida e a organização da sociedade.

Com o tempo, as pessoas formadas em áreas de conhecimento específicas passam a perceber a urgência de se criar ligações entre saberes específicos para conseguir compreender e atuar sobre os problemas do mundo.

Surgem perspectivas interdisciplinares, que buscam tratar temáticas com a contribuição de várias áreas de conhecimento disciplinar, postas lado a lado. As Artes, as Humanidades, as Ciências Naturais e Exatas caminham juntas em projetos de pesquisa, novas formulações teóricas e criações de novos conhecimentos e saberes.

Das práticas interdisciplinares surgem perspectivas transdisciplinares, ou seja, da mistura de saberes especializados criam-se outros novos saberes e campos de conhecimento, que buscam pluralizar pontos de vista, teorias, propostas de estudo, e não aceitam mais hierarquizações que dizem qual ou tal área é mais importante para estudar um tema.

Um exemplo de novo campo de saber que tornou-se área de conhecimento recente são os Estudos Culturais, e alguns acreditam que Arte/Educação e Arte, Ciência e Tecnologia também se configuram de forma transdisciplinar – sem contar inúmeras outras novas áreas de conhecimento no campo das Ciências Exatas e Naturais – como espaço de produções de saberes antes inexistentes, talvez sem condições de serem gerados em uma ou outra especialidade.

Em novas áreas como essas, as Artes, as Humanidades e as Ciências podem então atuar tanto lado a lado quanto atravessar temáticas, questionando fronteiras entre as ciências e seus objetos de estudo. Afinal, artistas podem ser cientistas, educadores, técnicos ou tecnólogos e vice-versa, como sabemos. Mais do que isso, o olhar trazido pelas artes pode trazer outras visões, problemas, dilemas, soluções onde observadores de outras áreas não enxergavam nada ou muito pouco…

Em tais perspectivas de trabalho transdisciplinares, o conhecimento e a compreensão da diversidade cultural é uma das temáticas mais destacadas, com ênfase no reconhecimento de conflitos entre culturas, e na multiplicidade de tecnologias culturais e artísticas que cada sujeito e/ou grupo social cria e utiliza para viver e lidar cotidianamente.